Aliada do MST, CUT defende invasões de terra em São Paulo

A Central Única dos Trabalhadores divulgou nota de apoio às invasões de terra realizadas por sindicatos ligados à entidade e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Pontal do Paranapanema, região oeste de São Paulo. "A CUT apóia as ocupações organizadas pelo MST e por sindicatos de agricultores e assalariados rurais ligados à CUT recentemente realizadas no Pontal do Paranapanema por considerar justa a luta pela reforma agrária no Brasil", informa a entidade nesta quarta-feira, 21. Em dois dias, no domingo e na segunda-feira, o MST e sindicatos de trabalhadores rurais filiados à CUT realizaram 13 invasões de terra no Pontal e na região da Alta Paulista. Segundo os organizadores, as ocupações mobilizaram 2.200 pessoas em área de atuação do líder José Rainha, que tem condenações na Justiça. "A Central estará ao lado de todos os trabalhadores do campo e da cidade que buscam a justiça social e o direito ao trabalho", completa a CUT. Juntar forças Rubens Germano, presidente do sindicato dos empregados rurais de Presidente Prudente e região diz que o governo Geraldo Alckmin (PSDB) não cumpriu a promessa de assentamento na região do Pontal, o que levou os dois movimentos a juntar forças para sensibilizar a atual administração de José Serra, que assumiu em janeiro. "Os trabalhadores preferem a luta pela terra do que o corte de cana. E em cinco anos vão ficar todos desempregados pela mecanização", disse Germano, que comemorou o tom da nota da CUT nacional, já que havia expectativa de que a entidade não assumisse totalmente o movimento. Vagmar Nunes, coordenador do MST na região do Pontal, que disse ter coordenado sete das invasões realizadas durante o carnaval, também aponta o trabalho nos canaviais como incentivo às ocupações. "Não vamos ficar quatro anos com a família na beira da estrada. O governo construindo penitenciárias e nós plantando cana. Os proprietários não cumprem com o salário, o esforço físico é além da capacidade, o trabalhador é explorado e dispensado na entressafra", disse Nunes à Reuters por telefone. Sem novas invasões Não houve novas invasões nesta quarta-feira, segundo os dirigentes, mas o movimento promete continuar as ocupações nos próximos dias. Os invasores prometem cumprir as liminares de reintegração de posse que estão por vir. Tanto MST quanto CUT afirmam que as terras ocupadas são devolutas e improdutivas, o que é contestado pelos proprietários rurais. "É tudo mentira, falácias, invencionices. O MST não tem credibilidade para falar o que é terra devoluta ou improdutiva. A entidade não tem registro jurídico, não tem representante legal", reage Luiz Antonio Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista (UDR). Nabhan, que afirma que os proprietárias já estão recorrendo à Justiça para a reintegração, vê questão política na participação da CUT. "Nunca participou e agora está entrando na parada. Começamos a desconfiar que existe motivação política para atingir o governo atual de São Paulo. A gente sabe quem a CUT apoiou", disse, referindo-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No Pontal, área de conflito judicial, a entidade propõe ao governo do Estado doar uma parte de terra com benfeitorias para assentamento em troca da retirada de ações e o reconhecimento dos títulos. O secretario da Justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, condicionou o diálogo com o MST à desocupação das fazendas.

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