Esteban Garay/Reuters
Esteban Garay/Reuters

'Perdoo o Rodrigo Maia pela situação pessoal que ele está vivendo', diz Bolsonaro sobre atritos

Presidente da Câmara tem dirigido fortes críticas ao presidente na articulação da reforma da Previdência

Daniel Weterman e Ricardo Galhardo/Enviados especiais, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2019 | 12h06

SANTIAGO - Enquanto no Brasil o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), dirige fortes críticasJair Bolsonaro na articulação da reforma da Previdência, o presidente disse neste sábado, 23, a empresários chilenos que atritos acontecem no País porque muitos não querem largar a "velha política". Bolsonaro também alegou não saber por que Maia anda tão “agressivo” contra ele e declarou que perdoa o parlamentar fluminense, citando problemas pessoais do deputado — referência à prisão do ex-ministro Moreira Franco, seu sogro. 

"Os atritos que acontecem no momento mesmo estando calado fora do Brasil acontecem na política lá dentro porque alguns, não são todos, não querem largar a velha política", disse Bolsonaro durante café da manhã oferecido pela Sociedade de Fomento Fabril do Chile em Santiago. Ele não citou nomes e disse ter recebido o governo em uma crise "ética, moral e econômica", classificou o Brasil como "campeão da corrupção", mas com grande chance de sair do buraco desde que o país aprove as reformas, principalmente da Previdência.

Ao terminar sua primeira visita oficial ao Chile, Bolsonaro enfatizou que não vai entrar em um “campo de batalha” que não é o seu, ao se referir à cobrança de Maia para que ele assuma a liderança pela articulação da reforma da Previdência. Além disso, o presidente voltou a jogar a responsabilidade da proposta sobre Maia e o Congresso e disse não saber por que o parlamentar anda está tão “agressivo”.

“Não serei levado para um campo de batalha diferente do meu. Eu respondo pelos meus atos no Executivo. Legislativo são eles, Judiciário é o Dias Toffoli. E assim toca o barco, isso se chama democracia”, disse Bolsonaro a jornalistas ao deixar o Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, ao lado do presidente do Chile, Sebastián Piñera. “Não queiram me arrastar para um campo de batalha que não é o meu”, insistiu.

Na quinta-feira, 11, o ex-ministro Moreira Franco, sogro de Maia, foi preso pela Operação Lava Jato do Rio. “Eu lamento. Até perdoo o Rodrigo Maia pela situação pessoal que ele está vivendo. O Brasil está acima dos meus interesses e do dele. O Brasil está em primeiro lugar.” 

Bolsonaro repetiu que a “bola” pela votação da reforma está agora com Maia e com o Congresso, e não mais com o Planalto. Questionado sobre as razões que teriam levado o presidente da Câmara a disparar publicamente contra ele, Bolsonaro disse que “a temperatura está alta lá no Senado”, sem explicar a que se referia.

Ao se dirigir ao carro que o levou para o aeroporto, Bolsonaro declarou ao Broadcast Político que não existe atrito com Maia. "Da minha parte, não houve atrito. Estou pronto para conversar com ele." 

Bolsonaro volta a atacar a 'velha política'

O presidente voltou a atacar a "velha política" ao reclamar das reações negativas à montagem de seu ministério. "Como nós chegamos sem apoios políticos partidários escolhemos um ministério, com pessoas que queriam participar do governo por patriotismo. Montamos nosso ministério desagradando os políticos tradicionais", afirmou o presidente. "Então com a política tradicional existem as reações ainda por parte de alguns da classe política. Mas acredito que a maioria não esteja contaminada", completou.

Em entrevista ao Estado publicada neste sábado, Rodrigo Maia declarou que o governo Bolsonaro "é um deserto de ideias" e criticou o presidente por dizer que seu diálogo é "toma lá dá cá". Mais cedo, em Brasília, Maia afirmou que os atritos com o governo são "página virada". "O que a gente precisa é mostrar para a sociedade que a gente tem responsabilidade, que o governo tem responsabilidade, que o governo vai sair de conflitos nas redes sociais e vai para o mundo real."

Ao falar sobre Venezuela, presidente diz que Maia está desinformado 

Além da reforma da Previdência, Bolsonaro criticou Maia pela declaração dada ao Estado de que o Brasil não teria condições de "segurar" 24 horas de confronto com a Venezuela. "Ele está desprestigiando as Forças Armadas dessa maneira? Ele falou isso mesmo? Não queremos guerra com ninguém, [Maia] está desprestigiando as Forças Armadas. Em algum momento eu falei em guerra? Não falei. Ele está completamente desinformado."

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