Alexandre de Moraes minimiza declaração sobre antecipação da Lava Jato

Ministro da Justiça afirma que reportagem do Broadcast Político, serviço de notícia em tempo real da Agência Estado, "truncou" sua fala feita no domingo; "esta semana vai ter mais", disse ele no domingo

Ricardo Leopoldo e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2016 | 12h44

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, minimizou nesta segunda-feira, 26, seus comentários feitos no domingo, 25, sobre a possibilidade de "ter mais" episódios esta semana relacionados à Operação Lava Jato. "Teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim", disse o ministro, que participou de evento de campanha do deputado federal Duarte Nogueira (PSDB), candidato a prefeito de Ribeirão Preto (SP). A declaração publicada pelo Broadcast Político, serviço de notícia em tempor real da Agência Estado, foi feita espontaneamente, sem que ninguém tivesse o questionado.

Sob pressão, o ministro afirmou nesta segunda-feira, 26, que sua fala foi em resposta à "preocupação" de "movimentos que são contra a corrupção". "Antes tinham me perguntado em Franca, no dia anterior eu tinha estado em Jundiaí, São José dos Campos. Todos os movimentos que são contra a corrupção estavam preocupados, até porque parte da imprensa vinha noticiando, eu diria mais, parte da imprensa vinha defendendo que a Operação Lava Jato deveria parar, que teria exagerado na quinta-feira na prisão do ex-ministro Mantega, que a policia federal teria exagerado e eu, desde quinta, já reiterei que a Polícia Federal age segundo mandado judicial", afirmou o titular da Justiça em evento realizado em São Paulo. Segundo ele, a reportagem da Broadcast Político "truncou" sua fala.

Sua declaração de domingo fez com que a força-tarefa da Lava Jato iniciasse coletiva sobre a 35.ª fase da Lava Jato, realizada na manhã desta segunda-feira, 26, em Curitiba, com depoimento em resposta ao ministro. A Polícia Federal afirmou que não avisou com antecedência o ministro da Justiça sobre a deflagração da Operação Omertà, que prendeu o ex-ministro Antonio Palocci, o ‘Italiano’ (Governos Lula e Dilma). "Somente as pessoas diretamente responsáveis pela investigação possuem conhecimento do seu conteúdo. Da mesma forma, as datas de desencadeamento de operações especiais de Polícia Judiciária são acompanhados apenas pelos responsáveis pela coordenação operacional”, destacou o delegado Igor Romário, da PF.

O delegado disse que "como foi amplamente demonstrado em ocasiões anteriores, o ministro da Justiça não é avisado com antecedência sobre operações especiais".

O ministro reiterou que as Operações da PF vão continuar “seja nesta semana, seja na semana que vem, porque desde que assumi não tivemos uma semana sem grandes operações, porque são necessárias”, apontou. “Não porque o ministro quer, o juiz quer, o procurador da República quer, porque a PF quer, mas infelizmente porque há corrupção e havendo corrupção deve haver operações.”

'Truncar'. O ministro destacou que em Ribeirão Preto, domingo, “o jornalista truncou uma conversa de quase 20 minutos que eu tive com os movimentos”, referindo-se a Gustavo Porto. “Ele truncou e criou uma conversa que foi muito maior. Uma conversa garantindo, e eu volto a garantir, a toda população brasileira que a Lava Jato vai até o final. Não só a Lava Jato, como a Acrônimo, a operação Zelotes”, disse.

O Broadcast expôs ao ministro da Justiça que Porto não truncou a conversa, pois relatou seu diálogo com o Movimento Brasil Limpo, o que não foi desmentido pelo governo. Alexandre de Moraes reiterou: “Ele truncou uma conversa de 20 minutos em uma frase. Certo, então ele deu a entender que o que teria sido dito era, ‘olha vai ter uma operação excepcional nesta semana.’ Não foi nada disso”, disse o ministro. “A conversa foi exatamente neste sentido, as pessoas preocupadas com várias notícias de que em virtude de que parte da imprensa chamou de abuso da Polícia Federal na quinta-feira, sem saber obviamente que a Polícia Federal cumpriu uma ordem judicial, pedida pelo Ministério Público e determinada pelo Juiz Sergio Moro”, afirmou.

“Eu afirmei e reafirmo agora, da mesma forma que nos quase 5 meses em que eu estou à frente do ministério da Justiça, todas as semanas houve operações, iria haver nesta semana, na próxima", destacou Moraes. "E nos vamos continuar e que poderão ficar absolutamente tranquilos em relação à autonomia da Polícia Federal para desvendar todos os casos de corrupção, em especial a Lava Jato.” 

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