Alesp enterra apuração do caso das emendas

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo decidiu ontem, por cinco votos a dois, interromper as investigações das acusações de venda de emendas parlamentares e enviar ao Ministério Público um relatório com o material colhido até agora pela comissão. O documento sequer começou a ser elaborado, mas o conselho não tomará mais nenhum depoimento nem colherá novas provas. A comissão foi prorrogada por 15 dias apenas para que o relatório final seja votado. Na prática, a decisão significa o enterro da investigação do caso.

AE, Agência Estado

28 de outubro de 2011 | 11h35

Com a manobra, a base governista espera pôr fim ao noticiário negativo diário que envolve a Assembleia. Com o caso sendo investigado exclusivamente pelo Ministério Público, a base espera que sejam mais esparsas as reportagens sobre a suposta venda de emendas na Casa.

Todo o material de que a comissão dispõe para enviar ao Ministério Público são as cartas enviadas ao conselho por Barbiere e pelo secretário de Meio Ambiente, Bruno Covas (PSDB), nas quais nenhum dos dois cita nenhum nome, além do depoimento do deputado Major Olímpio (PDT), único a depor pessoalmente.

Dos 17 requerimentos de convocações e pedidos de informação apresentados desde o início dos trabalhos, apenas três foram aprovados. Os deputados governistas operaram para impedir até convites aos secretários de Estado citados no caso - por não se tratar de convocações, eles nem seriam obrigados a comparecer à comissão.

Questionado sobre o teor do relatório que será enviado ao MP, o deputado Campos Machado, autor do requerimento que na prática enterrou as investigações, respondeu: "O que existe! O que tem nos autos. Você tem que verificar. Se não tem, não tem nada, é outro problema".

Marco Aurélio Souza rebateu: "Como é que vamos explicar para a imprensa que estamos aprovando o envio ao Ministério Público de um documento que nem existe? É como se disséssemos: ?Ah, o que quer que tenha a gente manda?".

Segundo Campos Machado, os trabalhos do conselho não estão sendo encerrados, uma vez que a comissão aguardará o retorno das investigações do Ministério Público para tomar as devidas providências.

Pizza

João Paulo Rillo (PT) disse que o relatório final poderia se chamar "marguerita quatro queijos" e pediu ao relator para "não se esquecer do orégano". "O resumo do Conselho de Ética será, para combinar com a pizza, ?tutti buona gente?. E o que a sociedade vai pensar de todos nós, inclusive de mim, é ?tutti ladrone?". O deputado Simão Pedro (PT) fez coro a Rillo: "Essa comissão está terminando os trabalhos de forma melancólica".

O líder do PSDB, Orlando Morando, depositou a culpa do desfecho das investigações em Roque Barbiere. "Lamentamos o fato de o acusador não dar nomes. Quem denuncia tem de dar nomes. Ele tem imunidade parlamentar, e essa prerrogativa pode ser legal, mas não falar nomes é imoral."

O único deputado da base do governo a se manifestar contrário à manobra foi Carlos Bezerra Jr. (PSDB). "Estou pasmo com o melancólico e deprimente desfecho do Conselho de Ética da Alesp hoje", escreveu em seu Twitter. "Omissão histórica." E emendou: "Um finge que denuncia, outro finge que investiga. E os paulistas, que papel têm nesse roteiro? Fingem que acreditam? #operabuffa #Alesp", tuitou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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