Alerta da Unicamp sobre energia não foi levado a sério

Os pesquisadores daFaculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) vinham alertando, pelo menos nosúltimos 10 anos, que os apagões seriam inevitáveis e que havia também risco do sistema de abastecimento de energia elétricaentrar em colapso no País.Eles apontavam dois problemas que poderiam levar ao racionamento: a falta de investimento nageração de energia e de regulamentação do consumo.Desde o início da década de 90, os pesquisadores defendem a instituição de normas técnicas para estabelecer o consumo deenergia dos equipamentos elétricos."Se apenas esta medida tivesse sido adotada, estaríamos, atualmente, com um uma folga de20% no consumo, a mesma que o governo agora quer economizar", disse o coordenador do Programa de Incentivo àSubstituição de Lâmpadas Incandescentes por Florescentes Compactas ou Circulares, Gilberto De Martino Jannuzzi.Jannuzzi, que possui doutorado em energia elétrica, disse que o País não se preparou para o aumento do consumo, que naúltima década foi 2,5 maior que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)."O problema que não existem aqui normas paraestabelecer o quanto de energia pode gastar uma geladeira, uma lâmpada ou um chuveiro", acrescentou o pesquisador, quesugere uma legislação específica para o setor, já que no mercado existem produtos similares, onde uma determinada marcaconsume bem mais energia que a outra."O consumidor não sabe disso e também não tem obrigação de saber", comentou. Existem países, como nos Estados Unidos, onde se determina o limite de consumo de energia até de um prédio comercial,além de especificar normas para os equipamentos elétricos.A determinação de até quanto um equipamento elétrico podeconsumir de energia foi proposto pelos pesquisadores aos integrantes do Programa Nacional de Combate ao Desperdício deEnergia Elétrica, criado pelo governo federal em 1985.A idéia não vingou. O órgão foi praticamente desativado, com aprivatização do setor energético, a partir de 1998.Os estudos feitos não foram levados a serio, no passado, segundo os pesquisadores. A maioria dos trabalhos acadêmicosque subsidiaria os projetos para combater o gasto excessivo de energia não chegou a sair do papel.O maisconhecido e que foi aplicado em algumas cidades era o que previa a substituição das lâmpadas incandescente pelasfluorescentes, que só agora o governo propõe.A experiência feita em 400 casas, no município paulista de Cosmópolis, em 1991, mostrou que a substituição das lâmpadasconsumia três vezes menos energia.O mesmo projeto mostrou ser eficiente em outras cidades, como Fortaleza (CE), ondeforam substituídas 40 mil lâmpadas. "Os fabricantes se aperfeiçaram e, atualmente, existem lâmpadas fluorescentes queconsomem até cinco vezes menos energia", destacou.

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