Alencar vai apaziguar Defesa, prevê cientista político

Ao assumir o Ministério da Defesa, o vice-presidente da República, José Alencar, terá o papel fundamental de apaziguar os ânimos dos militares no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, evitando crises como a que marcou recentemente a divulgação das supostas fotos do jornalista Vladimir Herzog, preso e morto durante o regime militar. A avaliação é do cientista político Francisco César Pinto da Fonseca, doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP), e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).Para o analista, a indicação de José Alencar resolve vários problemas de uma só vez. "O vice-presidente, até então um pouco isolado, terá uma voz importante; o governo não fará grandes deslocamentos na equipe ministerial, pois falava-se na transferência do ministro Aldo Rebelo da Coordenação Política para a Defesa; José Alencar é uma pessoa sem suspeita, sob a ótica militar, e reconhecidamente um grande negociador; e a Presidência da República mostra uma voz forte entre os militares, mostrando não aceitar novos desrespeitos à hierarquia", lista Fonseca.Prevendo desdobramentos do episódio, o cientista político acredita até na possibilidade de demissão do comandante do Exército, Francisco Roberto de Albuquerque, e na tentativa de apressar aposentadorias de militares participantes do movimento militar de 1964, os mesmos criticados por Viegas em sua carta ao presidente Lula.Isso porque, lembra Fonseca, há disposição do presidente da Câmara de Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), de negociar a revogação do decreto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no qual os arquivos do regime militar devem permanecer em sigilo durante 50 anos. "Os militares têm verdadeiro pânico da abertura desses arquivos, ao mesmo tempo que a sociedade civil, pastorais, familiares de vítimas, representantes das organizações de defesa dos direitos humanos cobram a apresentação pública dos arquivos", explica. "Provavelmente, o governo dará uma solução na qual nenhum dos dois lados deve ser contemplado em suas expectativas na íntegra. O que não dá é para colocar panos quentes nesse problema", complementa.

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