Alencar reconhece que contribuição é impopular

O presidente em exercício, José Alencar, admitiu ontem que o governo pode usar uma proposta de redução futura da alíquota da CPMF para conseguir aprovar sua prorrogação. "Qualquer modificação no projeto aprovado na Câmara faz com que, por força regimental, volte à Câmara. E, voltando, ele não terá mais tempo de ser aprovado este ano. Então o que se pode negociar provavelmente seja alguma coisa mais para frente, com compromisso seguro para ser cumprido", afirmou Alencar ontem, depois de participar da cerimônia de recondução do empresário Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira à presidência da Federação das Indústrias do Rio (Firjan). Alencar reconheceu que a aprovação da prorrogação da CPMF é uma medida impopular, mas necessária. "É preciso que todos saibam que nós somos contra a CPMF, mas não podemos praticar uma atitude de irresponsabilidade fiscal e orçamentária. Isso pode pôr a perder tudo que fizemos até agora no combate à inflação", afirmou Alencar. "Temos de ter a coragem de enfrentar essa situação, que é antipopular. Defender essa tese não é do agrado do eleitor, mas temos de ter a coragem de discutir aquelas questões que dizem respeito ao interesse nacional e não ao interesse subalterno." JOBIMO ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu ontem, em Cruzeiro do Sul (AC), a prorrogação da CPMF. Segundo ele, a eventual rejeição da emenda "seria uma tragédia", pois obrigaria a adaptações no Orçamento que prejudicariam vários setores. "Se ela não for aprovada - e não acredito que não seja -, vai implicar remanejamentos no Orçamento e, possivelmente, até aumento de outros impostos, para compensar."O ministro admitiu a possibilidade de participar de uma articulação no Congresso para ajudar na aprovação da emenda que prorroga a CPMF. "Se precisar, eu ajudo a trabalhar para isso."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.