Alencar recebe alta, pede atenção aos EUA e volta a falar sobre juros

Vice também comentou possível risco de apagão e defendeu Edison Lobão

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

19 de janeiro de 2008 | 00h00

O vice-presidente da República, José Alencar, de 76 anos, disse ontem que ninguém pode subestimar a crise econômica dos Estados Unidos. Ele recomendou atenção. "Temos todos que estar atentos e acompanhar", declarou à saída do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde ficou internado durante uma semana para tratamento de alterações hematológicas decorrentes de quimioterapia. Alencar enfrenta um câncer que já o levou à mesa de cirurgia seis vezes.Falou com desconforto dos juros altos, segundo ele "uma briga antiga" que o incomoda. "É claro, nós temos que pagar taxa básica real de mercado internacional."Alencar também aconselhou cuidados ante o risco de eventuais apagões no País por causa da crise de energia elétrica. "Veja bem, o problema é que a gente tem que ter sempre muito cuidado porque ninguém está livre (de apagão)." Mas aposta nas chuvas e declarou otimismo. "Tudo indica, pelas informações seguras que temos, que vamos atravessar (a crise energética). Eu acredito. Ainda vai chover bastante, isso vai melhorar a situação."Defendeu o senador Edison Lobão (PMDB), que assume amanhã o cargo de ministro de Minas e Energia em meio à desconfiança de técnicos do setor e críticas da oposição ao governo Lula. "Críticas no regime democrático são permitidas, graças a Deus. O ministro Lobão tem currículo rico de vida pública. Foi governador de seu Estado (Maranhão) e senador eleito por três vezes. A experiência poderá ajudá-lo muito."O vice-presidente deverá retornar ao hospital durante a semana para mais uma sessão de quimioterapia. Na quarta-feira, segundo afirmou, pretende participar da reunião ministerial em Brasília. Ontem, quando recebeu alta, revelou que gostaria de ir a uma churrascaria. "Gostaria muito de comer picanha com bastante gordurinha."Ao comentar sobre as medidas que o governo americano tomou para debelar a crise econômica, reafirmou que a saúde financeira do Brasil vai bem. "O pacote é avaliado em primeira mão pela própria economia americana. Se eles aceitarem o pacote como capaz de suplantar as dificuldades, é muito bom. A saúde do Brasil está bem. Acredito que vamos atravessar bem essa fase."Na sua avaliação, o País mantém um bom volume de reservas, "como nunca houve, com a inflação absolutamente controlada". O Brasil exporta ao todo menos de 20% para os Estados Unidos, argumentou. "O Brasil tem condições excepcionais para atravessar uma crise mundial, mas temos que estar atentos. Ninguém pode subestimar uma crise americana. A economia americana é muito forte e afeta realmente as economias do mundo inteiro."Pediu à população que por ele faça orações, "continuem rezando um Padre nossozinho". Do hospital, seguiu direto para um estúdio de TV onde deu início à campanha eleitoral. Gravou mensagem de dois minutos para o programa do Partido Republicano Brasileiro (PRB), agremiação à qual está filiado. "É o partido que mais cresce no Brasil. Vamos ganhar em muitos municípios e vamos prestar um bom trabalho."

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