Paulo Pinto/AE
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Alencar manda 'palavra de força' para senadores

O vice-presidente José Alencar, de 77 anos, "transmitiu sua palavra de força para os senadores", ao conversar hoje com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sobre a avalanche de denúncias contra o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP). Suplicy visitou Alencar no Hospital Sírio-Libanês, na Bela Vista, centro de São Paulo, e fez o relato após o encontro.

ROBERTO ALMEIDA, Agencia Estado

11 de julho de 2009 | 19h25

Alencar está internado desde quinta-feira (09). Ele foi submetido a uma cirurgia para a retirada de tumores da região do abdome. De acordo com o senador do PT de São Paulo, Alencar tem acompanhado, do hospital, as denúncias e mostrado interesse na posição da bancada do partido.

"Vocês sugeriram, então, que ele (Sarney) se licenciasse?", indagou o vice-presidente a Suplicy, que relatou conversas que teve com o primeiro-vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e o líder da legenda na Casa, Arthur Virgílio (AM).

De acordo com o senador do PT, Perillo, que assumiria a presidência do Senado com uma possível saída de Sarney, teria assegurado uma posição "republicana, de isenção", no comando da Casa.

Esta é a 14ª intervenção cirúrgica enfrentada por Alencar, 77 anos, na luta que trava contra o câncer desde 1997. Depois de sentir fortes dores no abdômen, na quarta-feira, 8, Alencar foi levado às pressas ao Sírio-Libanês, onde passou por exames e os resultados apontaram uma espécie de obstrução em uma alça do seu intestino (uma suboclusão intestinal). Após pouco mais de seis horas na mesa de cirurgia, o procedimento foi concluído com sucesso.

 

"Foi uma cirurgia para desobstrução do intestino decorrente de alguns nódulos tumorais que ele já havia apresentado. A cirurgia foi revestida de pleno sucesso, havia obstrução de mais de um ponto e foi possível liberar o intestino em todos esses pontos. Foi possível retirar também parte dos tumores e ele tolerou muito bem o procedimento", afirmou o gastroenterologista Raul Cutait, minutos após o término da cirurgia.

Durante o procedimento, além da obstrução, foram removidos boa parte dos tumores abdominais do vice-presidente. "A proposta não era tirar todos os tumores e, sim, resolver o problema da obstrução. Mesmo assim, foi possível retirar tudo que estava dentro do abdômen. Ficaram dois nódulos na região pélvica", disse Cutait, acrescentando que, ao todo, dez nódulos foram removidos .

O oncologista que acompanha Alencar, Paulo Hoff, disse que por conta dos 18 tumores que Alencar tem na região abdominal, o intestino do vice-presidente apresentou afunilamento em alguns pontos, o que gerou a crise aguda de dor que levou à internação na quarta-feira. A cirurgia, prevista para para durar 3 horas, acabou estendida devido a descobertas de outros pontos de obstrução. "É relativamente comum em pessoas que têm um número maior de tumores na cavidade abdominal ter outros pontos com certa diminuição do calibre do intestino. Havia outros pontos e eles também foram removidos", explicou Hoff.

Com os procedimentos realizados, Alencar deve ter resolvido o problema das dores e seu intestino deve voltar a funcionar normalmente. Uma nova cirurgia foi descartada.

Hoje pela manhã, Alencar foi transferido da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para um quarto. Conforme Suplicy, Alencar apresentou "bom humor, força e energia formidável". O vice ainda não tem previsão de alta.

Alencar passou o dia com a mulher, duas filhas e um neto, que comemorou o aniversário de 9 anos com o avô. Uma possível visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao vice não estava confirmada até as 18 horas.

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