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Alencar faz desabafo sobre MP que libera transgênicos

O presidente em exercício José Alencar fez, hoje, um desabafo, na abertura de um seminário no Itamaraty, sobre as pressões que vem sofrendo para assinar a medida provisória liberando o plantio de soja transgênica na safra 2003/2004. "Conversei com técnicos da Embrapa, que disseram que não há riscos, mas os ambientalistas afirmam que há riscos", afirmou. "É uma situação difícil, e vocês devem estar com pena de mim", acrescentou, voltando-se para os membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), um dos promotores, ao lado do Banco Santander, do seminário internacional "Saber Global: Centro e Periferia na Sociedade do Conhecimento". Ele começou seu discurso falando durante cerca de meia hora sobre os ex-presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek e, ao final, quando se despediu, cumprimentou a ministra da Promoção Social, Benedita da Silva, chamando-a de Marina e, logo, pediu desculpas. "Eu vou explicar essa história de Marina", disse. "Eu estive com a ministra (do Meio Ambiente, Marina Silva) até tarde. Então, a Marina está na minha cabeça. Aliás, aproveito a oportunidade para pedir para vocês - dirigindo-se aos integrantes do CDES - que me ajudem. Eu terei de assinar uma medida provisória. Quem levantou cedo deve ter visto alguma coisa na televisão, pessoas que até me condenaram: ´Por que diabo o presidente não assina essa medida provisória?", afirmou Alencar, referindo-se ao programa Bom Dia Brasil, em que apareceu o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), um dos vice-líderes do governo na Câmara, criticando a demora de Alencar em assinar a MP.JustificativaAlencar justificou a demora em assinar a medida provisória liberando o plantio de soja transgênica na safra 2003/2004 com o argumento de que é mineiro. "Mineiro demora um pouco para tomar decisões", afirmou. "Não estou demorando tanto em relação a essa medida, que pode permitir o plantio de soja no Rio Grande do Sul e no Brasil. Aliás, uns dizem que não é liberação de sementes, mas que é de grão; outros, que é de caroço de soja", brincou, no momento em que os participantes do seminário começaram a rir. Aí ele disse: "Porque, realmente, eu tenho de assinar essa medida provisória. Há um ano, nós fomos atropelados pelo contrabando de soja, que foi plantada também fora da lei, e houve uma MP permitindo a comercialização. E agora, outro atropelo, porque sobraram sementes que precisam ser plantadas".Nesse momento, alguns participantes do evento, ainda que de forma tímida, gritaram para ele não assinar a MP. "E um pobre coitado de um presidente em exercício, lá de Minas Gerais, tem de assinar essa medida provisória. Eu quero que vocês me ajudem nisso", insistiu Alencar, voltando-se para os integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), um dos promotores do seminário, presentes ao auditório do Itamaraty. Ele disse ter recomendado aos advogados da União que preparem um modelo de texto que lembre um contrato inglês, "para que a Nação brasileira entenda por que vamos autorizar o plantio de sementes de soja". Voltando a se dirigir aos integrantes do Conselho, Alencar salientou que o órgão pode ajudá-lo a errar menos na assinatura da MP, pois o tempo para plantar a soja "urge". Ao término de sua participação do seminário, Alencar ainda conversou rapidamente com jornalistas que cobriam o seminário. Questionado se assinaria contrariado a MP, ele respondeu que os repórteres já o haviam ouvido falar sobre o assunto. "Agora, vou continuar examinando essa questão", esquivou-se.ConfidênciaA ministra de Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva, relatou que, após a abertura do seminário "Centro e Periferia na Sociedade do Conhecimento", no Itamaraty, o presidente em exercício José Alencar lhe confidenciou que precisa pelo menos de tempo para ler o texto da medida provisória que ele deverá assinar, liberando o plantio de soja transgênica na safra 2003/2004.150 mil famílias plantam sojaOutro participante do seminário, o ministro-chefe da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social, Tarso Genro, disse que o presidente interino fez um desabafo sobre o assunto "no palco propício" (diante de membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, um dos promotores do evento). Tarso defendeu a MP liberando o plantio de soja transgênica. "O direito está perseguindo os fatos", disse ele, referindo-se à realidade no Rio Grnde do Sul, onde 150 mil famílias já estariam plantando essa soja.

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