Alemanha substitui convênio nuclear com Brasil

O governo do chanceler alemão, Gerhard Schroeder, decidiu cancelar o tratado de cooperação nuclear que mantinha com o Brasil e o transformará em outro que promove o uso de fontes alternativas de energia, segundo informou hoje a agência DPA. O governo alemão considera antiquado o tratado assinado em 1975 e o substituirá por um tratado energético centrado nas energias renováveis, na melhoria da eficiência energética, na economia de energia e nas reduções de emissão, afirmou comunicado do de parlamentares do Partido Verde, minoritário no governo Schroeder.O vice-presidente do partido social democrata, Michael Mueller y Gernot Erler, afirmou que o governo enviou ao governo brasileiro uma nota na qual informa sobre a modificação do tratado. O acordo de 1975 inclui uma cláusula que permite aos países rescindir de maneira unilateral o convênio a cada cinco anos. O próximo prazo se encerra no dia 18 de novembro. Segundo os parlamentares do Partido Verde, principais promotores da proposta, no futuro não se concederão mais garantias de exportação de componentes para a construção e modernização de usinas nucleares. ?Se intensificará a cooperação com o Brasil em matéria técnica-científica, de desenvolvimento econômico em todos os campos do abastecimento energético não atômico?, afirma o comunicado.Dentro do partido Social Democrata há quem seja contrário a modificação do tratado. Segundo fontes consultadas pela agência, o ministro do Exterior, o verdeJoschka Fischer aprovou os planos, mas o ministro da Economia, o social-democrata Wolfgang Clement teme que no futuro fique cada vez mais difícil receber autorização para exportar componentes atômicos alemães. Organizações ecológicas exigiram nas últimas semanas que o governo de Schroeder rescinda o convênio de cooperação por causa dos planos anunciados pelo governo brasileiro de contruir quatro novas usinas atômicas ao noroeste da Amazônica.O governo social democrata e os verdes da Alemanha iniciaram em 2001 o fechamento progressivo de suas 19 usinas nucleares com o objetivo de converter sua indústria energética em favor de fontes renováveis. Mesmo assim, a Alemanha mantinha o convênio de cooperação que previa a construção conjunta de oito usinas nucleares, uma fábrica de reatores, reprocessamento, assim como a exploração e comercialização das reservas de urânio no Brasil.

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