Além de vazamento, PF diz que vai investigar autor de dossiê

Delegado diz que apuração não terminará com identificação do responsável pela divulgação dos gastos de FHC

Felipe Recondo e Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo ,

09 de abril de 2008 | 07h24

Apesar da pressão do governo para apurar somente o responsável pelo vazamento dos gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, o delegado da Polícia Federal Sérgio Menezes, responsável pelo inquérito, mostrou-se incomodado com as notícias de que a investigação será limitada. Menezes avisou que, ao contrário do que foi divulgado pela administração federal, a apuração não terminará com a simples identificação do responsável pela divulgação do suposto dossiê.   Veja Também:   PF apreende 6 computadores para perícia no caso do dossiê Garibaldi cria CPI dos cartões no Senado Base fará de tudo para impedir CPI no Senado, diz Fontana PF abre inquérito para apurar vazamento de dados de FHC Dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos    Quando chegar ao funcionário, o delegado avisou que vai interrogá-lo e questionar quem elaborou o documento, por que foi divulgado, a mando de quem foi vazado e com que finalidade. Apesar de o ministro da Justiça, Tarso Genro, ter dito que a averiguação seria limitada, se o delegado se deparar com alguma outra irregularidade, terá de investigá-la. Caso contrário, pode ser acusado do crime de prevaricação.   Na terça-feira, 8, a Polícia Federal apreendeu seis computadores da Casa Civil que teriam sido usados para montar o suposto dossiê. Os cinco microcomputadores portáteis e um equipamento de mesa passarão por uma perícia da Superintendência Regional da PF do Distrito Federal, com o apoio técnico do Instituto Nacional de Criminalística (INC). Nunca a PF chegou tão perto do gabinete presidencial ocupado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa investigação.   Além da apreensão das máquinas, o delegado foi ao Palácio do Planalto para levantar informações básicas sobre o funcionamento do setor de onde partiram informações que alimentaram o suposto dossiê. Menezes queria, basicamente, saber quem tinha acesso aos computadores, que tipo de informações passavam pela área e como eram armazenadas.   O delegado foi ao palácio na companhia de agentes, para os primeiros passos da apuração, aberta na terça-feira, 15 dias depois de divulgados os primeiros dados da coleção de documentos. Os equipamentos estavam na sala-cofre do Planalto desde que a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou que uma vistoria seria feita nas máquinas pelo Instituto Nacional Tecnologia de Informação (ITI), ligado ao ministério.   Com a análise dos computadores, a PF tentará identificar quem formatou o documento, quem alimentou o arquivo com as informações, buscará dados da preparação do suposto dossiê, como data e hora, e espera chegar ao funcionário responsável pelo vazamento das informações sigilosas. Menezes não informou quais serão os próximos passos da averiguação depois da apreensão das máquinas. Ele disse, por intermédio da assessoria, que, até o momento, não marcou nenhum depoimento. Mas precisará ouvir os servidores da Casa Civil que trabalhavam no setor.

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