Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Além de Funaro, Papuda terá novo potencial colaborador

Penitenciária já mantém operador do PMDB e, agora, vai receber aliado de Temer; ambos não descartam acordos

Fabio Serapião e Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Ex-deputado federal e ex-assessor do presidente Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), preso no sábado, 3, deve ser transferido nesta segunda-feira, 5, para o Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, onde já se encontra presa outra figura presente nas investigações da força-tarefa da Lava Jato: o operador Lúcio Funaro. Investigadores e políticos consideram forte o potencial dos dois de abalar o governo Michel Temer caso assinem acordo de delação premiada.

O Estado apurou que, após saber da delação de Joesley Batista, do Grupo J&F, Funaro voltou a falar com os investigadores e entregou uma proposta de anexos à Procuradoria-Geral da República (PGR) que tem como principal alvo Temer. Apontado como operador da cúpula do PMDB da Câmara e muito próximo ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Funaro iniciou as tratativas com a PGR ainda no começo deste ano para delatar, mas não deu prosseguimento às negociações após começar a receber repasses de Joesley.

Loures, que ocupa uma cela na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, encontrará esse cenário ao chegar à Papuda. E, apesar de a nova defesa do ex-assessor de Temer rejeitar um acordo de delação, essa opção não é completamente descartada pelo peemedebista. Assim que foi divulgado o vídeo em que ele é flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil da JBS, em São Paulo, interlocutores do ex-deputado chegaram a enviar sinais à Procuradoria de que ele estaria disposto a colaborar. 

Sépsis. A importância de Funaro para o grupo político de Temer foi mapeada na Operação Sépsis, quando ele foi preso. A investigação revelou um esquema de pagamento de propina para liberação de aportes do FI-FGTS, fundo de investimento administrado pela Caixa Econômica Federal. Funaro é tido como um elo entre agentes públicos e empresários nas transações. 

A suspeita dos investigadores sobre Funaro foi reforçada por Joesley em seu acordo de colaboração premiada. “Lúcio Funaro é o operador financeiro do Eduardo (Cunha) no esquema PMDB da Câmara. O esquema PMDB da Câmara é composto pelo presidente Michel, Eduardo, enfim, e alguns outros membros”, disse. 

Procurada, a defesa do presidente Temer afirmou que só vai se manifestar sobre fatos concretos.

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