Aleitamento materno do Brasil é premiado

A premiação do banco de leite humano da fundação Oswaldo Cruz pela fundação japonesa Sasakawa, através da Organização Mundial da Saúde, "é o reconhecimento de uma experiência pioneira brasileira", disse hoje o diretor do banco, João Aprígio Guerra de Almeida. O prêmio, de US$ 30 mil será entregue, nos próximos dias. A campanha de promoção do aleitamento materno exclusivo é reforçada pelo fato de o Brasil ter a maior rede de leite humano do mundo, que atende principalmente bebês internados em unidades de tratamento intensivo neonatais.A presença do estande brasileiro do banco de leite materno na entrada do plenário da Assembléia Mundial da Saúde, em Genebra, reforça a proposta brasileira de aumentar de quatro para seis meses o período de alimentação dos bebês exclusivamente com leite humano. "Criança que mama no peito se transforma em um adulto muito mais pronto para a vida, pois o leite humano tem as substâncias que favorecem o desenvolvimento do sistema nervoso central e, em conseqüência, a inteligência ou QI".Segundo ele, pesquisas indicam que as crianças que mamam no peito ficam mais protegidas contra infecções e os riscos de virem a ser adultos obesos são menores. Guerra de Almeida alerta que as mães não devem misturar o leite materno com outro supletivo, pelo menos até os seis meses. Qualquer dúvida pode ser resolvida pelo telefone 0800-268877 - a ligação é gratuita."É muito importantes que as mães antes de aderirem à mamadeira façam um contato com os profissionais de saúde habilitados para receber orientação", alerta Guerra de Almeida. Em pesquisa para seu doutorado sobre as determinantes do desmame na Fundação Oswaldo Cruz, ele constatou que apenas 3,4% das mulheres levam em conta a estética, no caso de desmamar o bebê. "O desmame enfatiza esse aspecto utilizando um marketing, promovido historicamente pela indústria de sucedâneos do leite materno", acrescenta.É praticamente certa a aprovação da proposta brasileira - sobre aumento do período de amamentação - o que exigirá de fabricantes de leite em pó e papinhas a colocação de um alerta na embalagem, esclarecendo que o produto se destina a crianças com mais de seis meses. Embora o Brasil já adote há 20 anos essa medida, na Europa a informação é de que os produtos são destinados a bebês com mais de quatro meses. Nos EUA não há alertas. Os EUA são o país com maior número de bebês desmamados, 75% se alimentam com mamadeira. O ministro da Saúde, José Serra, defenderá nesta terça-feira as propostas brasileiras em favor de remédios mais baratos para os países pobres e do aleitamento materno na Assembléia Mundial da Saúde.

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