Ed Ferreira/AE
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Aldo Rebelo: 'No estádio não pode ter bebida e no show da Madonna pode?'

Ministro do Esporte defendeu a venda de bebida alcoólica em jogos de futebol no País, inclusive na Copa de 2014, e comparou o ambiente dos estádios ao de eventos culturais, como o Carnaval

Eduardo Bresciani, do estadão.com.br

07 de dezembro de 2011 | 17h34

SÃO PAULO - O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, fez uma defesa da venda de bebidas alcoólicas em jogos de futebol ao relacionar este tipo de eventos com o carnaval. A proposta de liberar a venda e o consumo em bares e restaurantes dentro dos estádios está no relatório de Vicente Cândido (PT-SP) do projeto que trata da Lei Geral da Copa.

"Daqui a pouco, pela marcha da posição de certas corporações, vamos acabar banindo a bebida alcoólica do carnaval, de toda a sociedade. Não duvido que se marche nesse caminho", afirmou Aldo.

Ele questionou ainda porque é possível vender bebidas em outros eventos realizados em estádios, como shows. "O que é um estádio? É um espaço de lazer. Essas arenas modernas são restaurantes, centro de convenções. Num estádio de futebol durante uma partida não pode ter bebida e no show da Madonna pode ter? É preciso que se decida."

Aldo afirmou ainda que ser mais fácil, do ponto de vista da segurança pública, controlar os efeitos causados pelo álcool num jogo de futebol do que no carnaval. "Em eventos mais espontâneos e menos contidos que jogos de futebol, como carnaval, ninguém concebe fazer restrição de álcool. Do ponto de vista do controle da segurança pública, é mais difícil fazer o controle (no carnaval) do que em uma partida de futebol".

Aldo afirmou não haver uma lei nacional para o tema, mas o Estatuto do Torcedor determina que ninguém pode permanecer dentro de um recinto esportivo se "portar objetos, bebidas ou substâncias proibidas ou suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência".

Justamente por isso que o relatório de Vicente Cândido altera esta lei para tornar a permissão de venda de bebidas definitiva. O ministro do Esporte defendeu também que a solução encontrada pelo Congresso deve valer para todas as competições e não apenas para a Copa. Apesar de todas as posições defendidas, ele ressaltou caber ao Congresso tomar uma decisão sobre o tema.

O ministro disse ainda que apesar do atraso de algumas obras de mobilidade urbana o Brasil teria condições de realizar a Copa do Mundo em dois meses. "Se nós precisássemos realizar a copa do mundo daqui a dois meses nós realizaríamos". Novamente ele citou o carnaval, que leva, segundo Aldo, mais turistas ao Rio de Janeiro do que o evento de futebol. Destacou ainda que o mais importante legado da Copa e das Olimpíadas não são as obras, mas o hábito de praticar esporte ser difundido para a população.

CONVÊNIOS

Aldo voltou a falar sobre os convênios do ministério com organizações não-governamentais (ONGs), que levaram a queda de seu antecessor, Orlando Silva. O ministro afirmou que não pretende firmar novos convênios com entidades devido a dificuldades de fiscalização, mas afirmou que os problemas encontrados eram pontuais.

"O que houve no ministério não foi problema com as ONGs. São centenas de convênios e dois, três, meia dúzia, foram usados de forma irregular ou indevida", disse o ministro. "Defendo que o ministério não faça convênio com ONGs porque é difícil de controlar e fiscalizar. Prefiro estados e municípios ou clubes porque é mais fácil de fiscalizar", completou.

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