Aldo quer nomes do mercado para pasta e nega que dará preferência ao PC do B

Futuro ministro vê como obstáculo para contratações os baixos salários; ele conversou com aliados e adiantou: ‘Minha ideia é contar com pessoas que são do PC do B e pessoas que não são’

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2011 | 22h40

BRASÍLIA - Depois de receber a missão da presidente Dilma Rousseff de promover uma "faxina" no Ministério do Esporte, o novo ministro Aldo Rebelo sinalizou na sexta-feira, 28, que pretende convidar "gente do mercado" para postos-chave na estrutura da pasta. São cinco os cargos considerados de primeira linha: secretaria executiva, chefia de gabinete e três secretarias (a de Esporte Educacional, a de Desenvolvimento de Esporte e Lazer e a de Alto Rendimento).

 

 

Uma das dificuldades apontadas pelo novo ministro para cooptar quadros na iniciativa privada é o salário oferecido pelo governo federal. "Para você trazer uma pessoa, precisa olhar o salário que ela vai ganhar. É natural que eu encontre (dificuldades em trazer pessoas para o Ministério). Você quer trazer alguém e o cara ganha não sei quanto no setor privado", disse na sexta-feira em entrevista ao Estado.

 

 

Segundo na hierarquia de qualquer ministério, o cargo de secretário executivo é considerado de "natureza especial" e tem um salário de R$ 11.431,88. Já os demais secretários têm cargo de Direção e Assessoramento Superior (DAS) de nível 6, cuja remuneração é de R$ 11.179,36. Um chefe de gabinete ganha R$ 8.988,00 (DAS5). Há ainda cargos de DAS de nível 4, com salário de R$ 6.843,76, que podem ser preenchidos livremente.

 

 

Conveniência. Ao comentar a saída de Orlando Silva da pasta, Aldo disse que não há demissão justa ou injusta e que a troca ministerial foi uma conveniência.

 

 

Ao mesmo tempo que procura quadros na iniciativa privada, o novo ministro não descarta a manutenção do PC do B em postos-chave. "Minha ideia é contar com pessoas que são do PC do B e pessoas que não são", afirmou. "O critério é a competência, a responsabilidade, a capacidade executiva. Meu principal critério não vai ser ou não ser do PC do B."

 

 

A dois dias da posse, Aldo conversou ontem com aliados, sem formalizar convites. "Tenho um monte de nomes. Mas não posso ligar para alguém para dizer que estou pensando no seu nome para tal cargo. Só posso ligar se for para convidar", observou. "São funções que dependem da disponibilidade das pessoas."

 

 

"Só posso pensar na equipe quando tomar pé das estruturas e de quais são as atribuições exatas de cada cargo, de quem cuida da Copa, da Olimpíada, do programa Segundo Tempo", disse.

 

 

Ele não quis adiantar se um convite para Nádia Campeão, presidente do PC do B em São Paulo e ex-secretária de Esportes na gestão de Marta Suplicy (PT) na Prefeitura, está em seus planos. "Ela é uma pessoa que tem experiência em gestão", limitou-se a comentar.

 

 

ONGs. Garantindo não ter recebido a incumbência de "desmontar" o que quer que seja no ministério, defendeu novamente o fim dos convênios com ONGs, centro da crise que derrubou Orlando Silva. "Não estou dizendo que as ONGs são desonestas. Mas dinheiro público indo para ente público é mais fácil de controlar e de fiscalizar. É mais lógico", afirmou Aldo Rebelo.

 

 

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