Aldo evita comentar aumento de salário de parlamentares

O presidente da Câmara, deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), recusou-se a falar com a imprensa nesta sexta-feira sobre a decisão de quinta-feira da Mesa Diretora de aumentar os salários dos parlamentares em 91%, numa equiparação às remunerações dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Com a aprovação do reajuste, os parlamentares passarão de R$ 12.847 para R$ 24,5 mil e terão o salário equiparado e vinculado ao teto do Judiciário, que equivale ao que ganha um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida entrará em vigor em 1º de fevereiro de 2007, quando inicia-se a nova legislatura. No seminário "Reforma política e cidadania", promovido pela Fundação Perseu Abramo, Aldo fez um discurso em que enfatizou a necessidade de se aprofundar a democracia no sentido de ampliar a participação popular nas esferas governamentais, e de criticar os setores que tentam diminuir o Estado que foi criado para servir aos seus interesses e objetivos. "O aprofundamento no sentido da participação popular geraria conflitos entre aqueles que criaram o Estado para servir os seus interesses e objetivos, e esses passariam a negar o Estado", disse ele, citando Friedrich Engels em uma reedição de um texto de Karl Marx sobre a democracia. "Daí a última eleição do País ter sido tão dramática, e na diplomação de ontem o protagonista ter derramado lágrimas tão sentidas. A política será subjugada pelos deuses ou pelos homens de grandes corporações?", questionou. Segundo o presidente da Câmara, "não fossem as qualidades de uma liderança pessoal, provavelmente a vontade democrática da maioria não teria sido estabelecida". Ainda no discurso, Aldo criticou setores que insistem em discutir os efeitos e limites das instituições democráticas sem pensar na sociedade como um todo. "Há aqueles que não admitem que nossas instituições políticas não são nada mais do que o reflexo da sociedade", declarou. Ao falar sobre reforma política, Aldo disse haver um "certo clamor" da sociedade pelo financiamento público de campanhas e um consenso quanto à fidelidade partidária, mas que ainda existe muita polêmica a respeito de listas fechadas ou abertas para a eleição de parlamentares. Ele citou o ex-governador Miguel Arraes, que uma vez, ao conversar com ele sobre o assunto, ironizou quanto iria custar incluir seu nome numa vaga de uma das listas. Aldo disse ainda que os movimentos sociais devem reconstruir sua forma de se inserir no debate da democracia sem prejuízo de suas plataformas específicas de reivindicação. "Hoje o Estado já é um certo estorvo para certas forças porque se aproximou do povo. Talvez para eles, o Estado tenha de ser reduzido para que não seja o mediador de questões como desigualdade, diferenças e deformações a favor de uma maioria", declarou. Ao final de seu discurso, o presidente da Câmara elogiou a queda da cláusula de barreira, que permitiu a continuidade da autonomia de seu partido. "Provavelmente haveria escândalo se propuséssemos limites à liberdade de imprensa e à liberdade religiosa, mas poucos se levantaram contra os limites da liberdade política. Não se dão conta de que o fim das liberdades pode começar dessa forma. No meu caso, a minha liberdade é tão importante quanto a dos outros", afirmou.

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