Aldo e Chinaglia consideram suas candidaturas ´irreversíveis´

Depois de uma hora e meia de reunião, os dois adversários na disputa pela presidência da Câmara, o atual presidente, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e o líder do governo na Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP) chegaram à conclusão de que os apoios partidários que já obtiveram tornaram as duas candidaturas "irreversíveis". A informação é de Aldo Rebelo. Já Chinaglia disse apenas que os dois fizeram uma avaliação política das candidaturas e firmaram um pacto de manter o nível da relação política e pessoal entre ambos. "Trocamos idéias como sempre fizemos. É de nossa responsabilidade manter o nível que vem sendo mantido com absoluto respeito entre nós", disse. "Foi uma conversa franca e rasgada", acrescentou. Os dois candidatos chegaram juntos à Câmara, depois de participarem da solenidade de sanção da Lei de Saneamento, no Palácio do Planalto, nesta sexta-feira. Depois da cerimônia, Aldo e Chinaglia trocaram um abraço diante das câmeras de televisão. Conciliação Questionado se o abraço era um gesto de conciliação, Aldo disse que "democracia comporta tanto disputa quanto acordo". E repetiu a resposta, ao ser questionado se um consenso entre ele e Chinaglia para a definição de um único candidato seria possível. Sobre a possibilidade de ocupar um ministério no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso perca a disputa, Aldo declarou: "sou candidato à presidência da Câmara". Segundo ele, sua candidatura não é um projeto pessoal, mas de um conjunto de partidos. Já o outro candidato, Arlindo Chinaglia, disse que o abraço entre os dois foi sincero e afirmou que foi à cerimônia a convite da Presidência da República. "A cerimônia era importante e a agenda estava leve", declarou. Sobre o fato de estarem em lados opostos por causa da disputa, Chinaglia lembrou que a amizade dele com Aldo é antiga. O líder do governo na Câmara disse ainda que não foi informado de que Lula tenha estabelecido o dia 20 de janeiro como prazo para que os dois candidatos se entendam em torno de uma candidatura única.Candidatura alternativaUm grupo de deputados decidiu lançar um candidato alternativo à presidência da Câmara. O nome será definido em uma reunião marcada para a próxima segunda-feira, em São Paulo, e entre os cotados figuram Fernando Gabeira (PV-RJ), Raul Jungmann (PPS-PE), Luiza Erundina (PSB-SP) e Carlos Sampaio (PSDB-SP). Apóiam a iniciativa parlamentares do PMDB, PSDB, PPS, PSB, PSOL e PV, além dos petistas Walter Pinheiro (BA) e José Eduardo Martins Cardozo (SP). Gabeira mostrou entusiasmo e já afirmou que poderá ser o candidato do grupo alternativo, caso não haja outra saída: "Na pior das hipóteses, o candidato serei eu. Na melhor, alguém que tenha condição de atrair mais votos e mais gente para nosso movimento". Gabeira lembrou que o grupo ainda é pequeno, mas poderá crescer, pois a Câmara teve um índice de renovação de 44% nas últimas eleições: "Vamos buscar forças lá". Vaga de ministroA manutenção das duas candidaturas contraria as intenções do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aposta em candidato único da base aliada na disputa. Na tentativa de evitar mais uma derrota para o governo e conseguir um consenso entre os dois candidatos, Lula deve oferecer um ministério em seu segundo mandato para aquele que desistir. A preocupação do presidente é evitar o que aconteceu em 2005, quando o PT lançou dois candidatos ao cargo - Luiz Eduardo Greenhalgh e Virgílio Guimarães - e ambos perderam para Severino Cavalcanti (PP-PE). A eleição que definirá a sucessão na Casa está marcada para o dia 1º de fevereiro. Este texto foi alterado às 15h50 para acréscimo de informação

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