Aldo e Chinaglia abandonam discurso corporativista

A entrada do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) na disputa pela presidência da Câmara obrigou os outros dois candidatos - o atual presidente da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e Arlindo Chinaglia (PT-SP), ambos da base governista - a abandonarem o discurso corporativista, se preocuparem também com a defesa da ética e ensaiarem certo distanciamento do Palácio do Planalto. Antes da chegada de Fruet, Aldo e Chinaglia vinham brigando entre si sem levar em conta a opinião pública, adotando uma retórica voltada para agradar apenas aos próprios deputados, que vão eleger o presidente da Câmara no próximo dia 1º. Escolhido na última terça-feira, 16, candidato a presidente da Câmara por um grupo suprapartidário que defendia uma terceira via contra os dois governistas, Fruet sabe que não terá tempo para visitar todos os deputados nem pedir o voto de todos. Por isso, adotou como estratégia uma espécie de parceria com a sociedade, na tentativa de conquistar, de fora para dentro, os votos de que necessita no restrito eleitorado de 513 deputados. "Como não posso ir a todo mundo, escolhi alguns símbolos da luta pela ética e pelo engrandecimento do Legislativo", diz Fruet. "Já fui à Ordem dos Advogados do Brasil, vou à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e pedi uma audiência ao senador Pedro Simon (PMDB-RS), não para buscar votos, mas para reafirmar meu compromisso de melhorar a imagem do parlamento. Também procurei os líderes de todos os partidos, numa espécie de pedido de licença para que possa ir atrás do voto de seus liderados", afirmou o tucano. Salários Para fustigar seus dois adversários, Fruet vai insistir na defesa da ética, lembrando que a legislatura que se encerra em 31 de janeiro foi manchada por escândalos sucessivos, como o do mensalão. Também planeja firmar posição numa questão muito sensível na Câmara: o aumento de salário para os deputados. Diz que aceita tratar do assunto, mas defende um reajuste com critérios compatíveis com a realidade brasileira - ou seja, correção pela taxa da inflação dos últimos quatro anos, que pelo índice oficial foi de 28,2%. No ano passado, Aldo autorizou que os salários dos deputados dobrassem de R$ 12.840 para R$ 24.500. O Supremo Tribunal Federal, porém, derrubou o reajuste. Agora, desde o lançamento da candidatura de Fruet, Aldo enfatiza que, ao longo de 2006, a Câmara economizou R$ 130 milhões com o corte integral nas despesas com publicidade, o fim de 1.140 Cargos de Natureza Especial e a redução de 40% nos gastos de horas extras com servidores. O presidente da Câmara anuncia ainda que manterá sua decisão de fazer ajustes administrativos, com a revisão das prioridades, adiamento da reforma dos imóveis funcionais e da construção de mais um prédio anexo da Câmara, além de maior controle com gastos de serviços, diárias e passagens. E lembra que acabou com o pagamento de salários extras aos deputados convocados durante o recesso parlamentar, o que gerou economia de R$ 62 milhões. Resgate da imagem Já Chinaglia decidiu, para fazer frente ao discurso de Fruet, também pregar a tese do resgate da imagem da Câmara, para fazer contraponto aos ataques dos adversários por causa dos apoios que tem recebido de parlamentares envolvidos no escândalo do mensalão e da suposta vinculação com o ex-ministro José Dirceu. "A bandeira da ética não é só do Fruet, até porque ética é obrigação", diz o deputado Odair Cunha (PT-MG), um dos coordenadores da campanha do petista. "Nesse terreno da ética, Chinaglia nada de braçada, por sua história, sua carreira", reforça o chefe geral da campanha, o deputado eleito Cândido Vaccarezza (PT-SP). Por mais que, em público, defendam a tese de que Fruet vai roubar mais votos de Aldo do que de Chinaglia, os petistas ficaram apreensivos com o lançamento da candidatura, não só por causa da perda do apoio do PSDB como pela provável aliança entre o atual presidente da Câmara e o tucano, se houver segundo turno - e este, pelo que tudo indica, vai ocorrer, pois são necessários 257 votos para vencer logo no primeiro turno. Baixo clero Mesmo adotando o discurso da ética para o público externo, no campo interno, Chinaglia vai se voltar também para promessas que sensibilizam em especial os deputados pouco conhecidos do público e sem destaque no cenário parlamentar que formam o chamado baixo clero. São eles a maioria do eleitorado que escolherá entre Chinaglia, Aldo e Fruet - cerca de 450 dos 513 deputados. Nessa estratégia, o petista promete "melhorar as condições de trabalho" do parlamentar e dos funcionários. Obras nos anexos onde ficam os gabinetes e até o estudo de um projeto para aumentar o número de cadeiras do plenário (hoje são 464) fazem parte de sua plataforma. À oposição, falará sobre o excesso de interferência do governo no andamento dos trabalhos legislativos.

Agencia Estado,

21 Janeiro 2007 | 16h26

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