Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Alcolumbre leva candidato à sucessão no Senado para almoço com Bolsonaro

Convite foi feito pelo presidente em meio às articulações para a eleição no Congresso

Emilly Behnke e Daniel Weterman, O Estado de S. Paulo

24 de dezembro de 2020 | 18h52

O presidente Jair Bolsonaro almoçou nesta quinta-feira, 24, véspera de Natal, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) e o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato ao comando da Casa. O convite foi feito por Bolsonaro em meio às articulações para a eleição que vai renovar a cúpula do Congresso, em fevereiro de 2021.

O encontro ocorreu após Bolsonaro ter se reunido, na semana passada, com três senadores do MDB que também pretendem concorrer à cadeira de Alcolumbre. A reunião desta quinta serviu para o presidente do Senado reforçar que Pacheco é seu candidato e que espera o apoio de Bolsonaro. A interlocutores, Alcolumbre afirmou que Pacheco tem o aval de Bolsonaro na eleição. Nos bastidores, porém, há comentários de que o presidente dará preferência a um nome do MDB.

“Acompanhei, em Brasília, nesta quinta-feira, visita que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, fez ao presidente da República, Jair Bolsonaro, para desejar-lhe boas festas. Ao final do encontro, o presidente Bolsonaro nos convidou para um almoço informal, que não constava da agenda”, afirmou Pacheco, em nota divulgada pela assessoria de imprensa.

Como o Estadão/Broadcast mostrou, Pacheco – que é líder do DEM -- enfrenta resistências no Senado, inclusive entre as maiores bancadas, como MDB, PSD e Podemos. Ele decidiu buscar apoio dos colegas após a tentativa de reeleição de Alcolumbre ter sido barrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Sem ainda ter a adesão de partidos, Alcolumbre lançou mão de uma estratégia no varejo, pedindo votos individualmente a seu candidato.

Rachadinha.  Pacheco é citado por adversários como alguém que dificilmente daria o mesmo respaldo de Alcolumbre ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos, RJ), filho do presidente e acusado de participação no esquema da “rachadinha” quando era deputado estadual, no Rio de Janeiro. Além de processo na Justiça, Flávio é alvo do Conselho de Ética do Senado.

Na conversa desta quinta,  Alcolumbre procurou mostrar que Pacheco poderá fazer a mesma ponte amigável com o Palácio do Planalto. O MDB, por sua vez, também tenta o aval de Bolsonaro e conta com pré-candidatos que são próximos ao presidente: o líder do governo no Congresso, Fernando Bezerra Coelho (PE), o líder do governo na Casa, Eduardo Gomes (TO), e o líder da bancada no Senado, Eduardo Braga (AM). Os três senadores buscam o apoio de Bolsonaro e foram chamados por ele, na semana passada, de "os três mosqueteiros".

Um outro nome do MDB cotado para concorrer à presidência da Casa é o da senadora Simone Tebet (MS), mas ela não se alinha ao Palácio do Planalto. O objetivo do partido de lançar uma candidatura própria ao comando do Senado é garantir o controle da pauta no Congresso. Na Câmara, o MDB concorre à presidência com o deputado Baleia Rossi (SP), respaldado pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O Planalto, por sua vez, tem um candidato definido: o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), líder do Centrão.

As eleições no Legislativo são aguardadas com expectativa por Bolsonaro. Em eventos oficiais e transmissões nas redes sociais, ele citou, por exemplo, que aguarda a renovação no comando das Casas legislativas para emplacar pautas como o voto impresso para 2022, a ampliação do excludente de ilicitude (licença para matar) e uma nova medida provisória sobre a regularização fundiária, além da revogação de um decreto ambiental para permitir a pesca em Angra dos Reis, no Rio.

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