Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Alcolumbre quer comissão externa para acompanhar ajuda humanitária na Venezuela

Presidente do Senado chama de 'lamentável' o bloqueio das fronteiras da Venezuela que impede a chegada de ajuda humanitária envida pelo Brasil e outros países

Amanda Pupo, Felipe Frazao e Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2019 | 20h09

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse ao Estado que vai reunir os senadores para avaliar a criação de uma comissão externa para acompanhar a operação de ajuda humanitária do Brasil à Venezuela.“Vou sondar os senadores para formar uma comissão externa institucional por causa da ajuda humanitária”, disse Alcolumbre. 

Ele já manifestava preocupação horas antes de um confronto entre militares leais ao presidente Nicolás Maduro e opositores radicais no Brasil, apoiadores do autodeclarado presidente Juan Guaidó. Ao longo do dia, o presidente  do Congresso Nacional foi abastecido por informações de vídeo com o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), que passou o dia em Pacaraima

Rodrigues disse que se o envio das 200 toneladas de mantimentos e medicamentos não der certo, o material deve ser entregue aos moradores e venezuelanos em Roraima, além dos hospitais do Estado.

Neste sábado, havia apenas uma ambulância municipal em Pacaraima disponível para levar feridos a Boa Vista. Os baleados eram trazidos em ambulâncias venezuelanas até a cidade fronteiriça. Rodrigues criticou a decisão de Nicolás Maduro de fechar a fronteira e a de Juan Guaidó de querer levar os mantimentos a qualquer custo. 

Em nota, Alcolumbre ainda afirmou que o Senado está "atento e disposto" a colaborar com iniciativas para solucionar o impasse que vive a fronteira do Brasil com Venezuela, "de maneira democrática e pelo bem dos que vivem dos dois lados da fronteira". Na manifestação, divulgada nas redes sociais do senador, Alcolumbre chama de "lamentável" o bloqueio das fronteiras da Venezuela que impede a chegada de ajuda humanitária envida pelo Brasil e outros países.

Há pouco, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência divulgou nota em que afirma que dois primeiros caminhões brasileiros cruzaram a fronteira para a Venezuela, sem que ocorressem incidentes na travessia. A reportagem do Broadcast/Estado, no entanto, que está no local, relata que os caminhões ficaram apenas na linha de fronteira.

Alcolumbre ainda lamentou as notícias de ataques promovidos pela Guarda Nacional Bolivariana às primeiras tentativas de levar alimentos e remédios a população venezuelana. O presidente do Senado também afirmou que está preocupado com as "possíveis consequências" do quadro para a população que vive em Roraima. "Por isso, o Senado Federal do Brasil está atento e disposto a colaborar com todas as iniciativas que objetivem a solução do impasse de maneira democrática e pelo bem dos que vivem dos dois lados da fronteira", disse. 

Confira a íntegra da nota de Alcolumbre:

"É lamentável o bloqueio das fronteiras da Venezuela que impede a chegada da ajuda humanitária enviada pelo Brasil e por outras nações vizinhas. Mais tristes são as notícias dos ataques promovidos pela Guarda Nacional Bolivariana às primeiras tentativas de levar os alimentos e remédios ao sofrido povo venezuelano. Ainda não posso deixar de manifestar minha preocupação com as possíveis consequências dessa situação extrema para os cidadãos que vivem em Roraima. Por isso, o Senado Federal do Brasil está atento e disposto a colaborar com todas as iniciativas que objetivem a solução do impasse de maneira democrática e pelo bem dos que vivem dos dois lados da fronteira."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.