Alckmistas pedem expulsão de aliados de Kassab

Para presidente do PSDB paulistano, permanência de kassabistas no partido é ?insustentável?

Ana Paula Scinocca e Gabriel Manzano Filho, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2008 | 00h00

Irritados com os tucanos que estão apoiando a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM) em prejuízo do candidato do próprio partido, aliados de Geraldo Alckmin defenderam a expulsão dos dissidentes. Houve até veto à presença de vereadores que apóiam a campanha de Kassab, bem como de tucanos que integram sua administração (entre eles Walter Feldmann e Alexandre Schneider), no jantar marcado para as 20 horas de hoje, no Jockey Club. O evento já tem confirmada a presença do governador José Serra e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.A amigos, o presidente do PSDB paulistano, José Henrique Reis Lobo - que é secretário do governo Serra -, reconheceu ser "insustentável" a permanência dos aliados de Kassab no partido. A temperatura da crise no partido começou a aumentar no fim de semana, depois que pesquisa do Datafolha revelou empate técnico entre Alckmin e Kassab. Um dia depois, reunião com cerca de 150 tucanos em um hotel na Liberdade revelou um clima ainda pior. Revoltados com a trajetória de queda nas pesquisas e com a ida ao segundo turno ameaçada pelo empate com Kassab, tucanos pediram "as cabeças" dos dissidentes. Lobo fez um discurso irritado. A aproximação entre tucanos puro-sangue e kassabistas já havia sido descartada anteriormente.Ontem, procurado pela reportagem, o presidente do PSDB paulistano limitou-se a dizer que os tucanos pró-Kassab "na verdade se auto-exilaram do partido". Dos 12 vereadores do PSDB, apenas 5 têm apoiado a candidatura de Alckmin. Todos os outros estão com Kassab. No jantar de hoje, são esperadas cerca de 400 pessoas. Os convites estão sendo vendidos a R$ 1.000.A crise no PSDB começou a ser desenhada ainda na pré-campanha, quando Serra defendeu a candidatura de Kassab em sinal de "lealdade" a seu ex-vice. Liderados por Alckmin, tucanos bateram o pé e exigiram que o PSDB tivesse candidato próprio, em vez de apoiar a reeleição do prefeito. KASSABEmbalado pelo crescimento nas mais recentes pesquisas, o prefeito evitou ontem comentar a crise no PSDB e a ameaça de expulsão dos tucanos que o apóiam. "Minha preocupação é cuidar da minha campanha e administrar a cidade. E pretendo continuar com essa conduta, sem me preocupar com o que acontece na campanha dos adversários", disse à noite, depois de participar do lançamento do livro Cidades Nota Dez, de Rubens Figueiredo, na Livraria Cultura.Kassab se disse "gratificado" pelas pesquisas que dão "quase 80%" de aprovação à sua administração - na verdade, os índices de ótimo e bom de sua gestão se encontram em torno de 45%. E alfinetou os tucanos: "Isso me dá orgulho e acontece graças à excelente equipe e ao governador José Serra, parceiro de nossa administração."

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