Alckmistas ignoram pedido de trégua

Ordem do quartel-general tucano é manter ataques a adversário do DEM

Ana Paula Scinocca, Ricardo Brandt e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

19 de setembro de 2008 | 00h00

Apesar da ordem do presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), de baixar as armas, e evitar críticas ao candidato do DEM, Gilberto Kassab, o comando de campanha do candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, já avisou que não mudará a estratégia. A ordem no quartel-general é continuar a "bater" em Kassab para continuar na briga para ir ao segundo turno da eleição. Alckmin está com o passaporte para a segunda etapa do pleito ameaçado pelo crescimento do prefeito e candidato à reeleição.Ontem mesmo a campanha alckmista pôs na TV uma nova propaganda que explora o passado político de Kassab e suas alianças com Paulo Maluf e o ex-prefeito Celso Pitta. A peça promete estremecer ainda mais o clima entre PSDB e DEM.Na rua, os dois candidatos bateram boca de longe. "Quero lembrar que hoje o ex-prefeito Pitta é aliado do ex-governador Geraldo Alckmin com o PTB, aliado de campanha", disse Kassab. "Eu nunca apoiei o Pitta. Que eu saiba ele foi candidato a prefeito de São Paulo e quem o apoiou foi o atual prefeito", reagiu Alckmin.A campanha de Kassab ameaça um revide. Kassabistas recuperaram uma gravação da eleição de 2004, quando Serra disputou com Marta Suplicy a prefeitura paulistana, em que Alckmin faz elogios à aliança entre DEM e PSDB e nominalmente a Kassab, então vice de Serra. O material não tem data para ser colocado nos programas eleitorais, mas está pronto para ser usado caso o PSDB insista nos ataques a Kassab.O PSDB reagiu com ironia à ameaça do DEM. "Será uma ótima chance de nós explicarmos à população que na época se tratava de uma aliança eleitoral", afirmou o coordenador-geral da campanha de Alckmin, deputado Edson Aparecido.Anteontem, depois de ouvir queixas do presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), e do presidente de honra, Jorge Bornhausen (SC), sobre o tom dos discursos de Alckmin sobre Kassab, Guerra telefonou para Aparecido. O presidente nacional do PSDB recomendou cautela e avisou que ataques acima do tom podem prejudicar a aliança entre os dois partidos na disputa presidencial de 2010. O PSDB e o DEM são aliados históricos."O PSDB não tem o menor interesse e nenhuma disposição em prejudicar as relações com o DEM", insistiu Guerra, frisando que críticas a Kassab deveriam se limitar à administração do prefeito.Ontem, Aparecido minimizou a "pressão" dos caciques tucanos. "Não há pressão nenhuma. A campanha continua como está. O que tivemos foi uma conversa (com Guerra). Mas ele sabe que a crítica é só em relação à administração mesmo." Segundo Aparecido, a principal preocupação do PSDB é na Bahia, onde o tucano Antonio Imbassahy, e o candidato do DEM, ACM Neto, estariam trocando farpas diariamente.Alckmin classificou ontem de "grosseria" as declarações dadas por Rodrigo Maia na véspera. O presidente do DEM disse ao Estado na quarta-feira que o tucano age como "lobo vestido de vovozinha" e "biruta de aeroporto" ao mudar a estratégia e atacar a gestão de Kassab. "Eu não vou responder à grosseria", reagiu Alckmin. "Eu trato de questões de interesse público, dos problemas da saúde, da falta de vaga em creches, do transporte. Campanha eleitoral é isso, é discutir os problemas."

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