Alckmin X Alckmin

Alckmin tem dois candidatos em São Paulo, Doria e França, sem desprezar nenhum deles

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

13 Março 2018 | 03h00

Geraldo Alckmin vai repetindo na eleição para o governo de São Paulo o que o antecessor José Serra fez na campanha para a Prefeitura da capital em 2008: ele entra na sua sucessão com dois candidatos, um ostensivo, o prefeito João Doria (PSDB), e um plano B, o vice-governador Márcio França (PSB). A diferença é que Serra trabalhou contra o nome tucano, o próprio Alckmin, que não chegou nem ao segundo turno. E Alckmin vai priorizar o tucano Doria.

Se fosse uma escolha in pectore, por preferência pessoal, Alckmin talvez optasse por Márcio França, com quem tem uma velha relação de lealdade, enquanto Doria é o afilhado que botou o pé na Prefeitura e já no dia seguinte tentava desbancar o padrinho na disputa pela Presidência.

Mas Doria, apesar das resistências no partido, é do PSDB e considerado pule de dez nas prévias do fim do mês – se é que vai haver prévias. E ele fechou com Gilberto Kassab para vice, o mesmo que bateu Alckmin em 2008.

Kassab é uma raposa, capaz de driblar a má vontade de Serra e tornar-se seu fiel aliado, ser ministro de Dilma Rousseff e de Michel Temer, criar um partido para chamar de seu, o PSD. Quem ouvia Kassab falando de Alckmin jurava que jamais estariam no mesmo projeto. Mas é coisa do passado...

Já Márcio França prometeu uma mercadoria que não está conseguindo entregar: o apoio do PSB nacional a Alckmin na sucessão presidencial. A seção paulista o segue, mas quem manda é a de Pernambuco, onde o governador Paulo Câmara fechou com Lula, seja quem for o nome petista ao Planalto.

Alckmin foi pessoalmente ao Recife, numa viagem de aproximação com Paulo Câmara e a viúva do ex-governador Eduardo Campos, Renata Campos. Câmara fez todas as mesuras, mas não se comprometeu com o tucano, porque o PT é sempre campeão de votos em Pernambuco, como no Nordeste, e a prioridade do governador é a própria reeleição. Alckmin ainda sugeriu que se aliasse ao PT no Estado e a ele na eleição presidencial. Não colou.

Mas isso não significa um distanciamento com França em São Paulo, e Alckmin vai fechando a eleição para o principal governo do País com a mesma estratégia e o mesmo jeitão com que trata a sua candidatura ao Planalto: discretamente ou, como se diz, “jogando parado”. Mas só sob os holofotes. Nos bastidores, está suando a camisa para montar os times.

Na equação paulista de Alckmin, há um terceiro nome: Paulo Skaf, do MDB, presidente da Fiesp e próximo interlocutor de Temer. Assim como Henrique Meirelles só pensa em ser presidente, Skaf tem uma ideia fixa: ser governador de São Paulo. As condições nunca são muito favoráveis. 

Desta vez, Skaf continua atrelado ao MDB e às composições de Temer a partir de Brasília, mas só terá alguma chance se, na campanha, os “alckmistas” Doria e França partirem para uma guerra fratricida e acabarem favorecendo um “tertius” que vá ao segundo turno contra um dos dois.

O mundo político e empresarial joga suas fichas em Doria, que tem contra ele uma síndrome que vem desde José Serra: a saída precoce da Prefeitura, sob suspeita de ter usado o cargo apenas como alavanca para voos maiores. Primeiro, o Planalto; agora, o Bandeirantes.

E Márcio França tem a seu favor um grande trunfo: como vice, ele assume o governo com direito a fazer campanha no cargo, com a caneta, os cargos e as verbas na mão. Não é pouca coisa. E, se vai pegar fogo entre os candidatos da órbita de Alckmin, o que dizer quando eles enfrentarem a real oposição ao Bandeirantes? A eleição em São Paulo tende a ser eletrizante. Como sempre, aliás.

Janot. O ex-PGR Rodrigo Janot é o menos indicado para atacar “convescotes” entre Temer e Cármen Lúcia. Lucra mais ficando calado.

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