Alckmin volta a criticar Lula no Nordeste

Na viagem de dois dias ao Cariri, no Ceará, o pré-candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin, foi recebido com euforia em três cidades administradas pelo PTB e seu partido, num clima de campanha. Apesar das restrições da lei eleitoral, que o impede de assumir a candidatura e pedir votos, tarefa assumida no palanque pelos aliados, partiu para o corpo-a-corpo nas ruas."Estou aqui para ouvir, sentir, conversar com todos e elaborar um grande projeto para o Nordeste, sem mentiras", discursou em Crato, próximo a Juazeiro do Norte, terra de Padre Cícero. Ainda pouco conhecido na região, se amparou na força eleitoral do PSDB no Estado para buscar popularidade, na tentativa de reduzir a preferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste, segundo pólo eleitoral do País."Lula já teve a sua vez, o povo já lhe deu oportunidades e o Brasil não andou", atacou. "Do ponto de vista ético só andou para trás. Com Lula, reapareceu de forma acintosa aquilo que já tinha acabado na política: não temos outra palavra, é roubo", prosseguiu, recebendo aplausos de militantes do PSDB e de lideranças políticas locais.PedidosAnimado com a recepção calorosa em Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha, que ficam cerca de 500 quilômetros de Fortaleza e somam mais de 300 mil votos, procurou proximidade. "Estou me sentido em casa", repetia, em meio a abraços, sorrisos, apertos de mão e fotos. Antes e depois dos discursos aproveitava para fazer contato pessoal. Os bilhetinhos de pedidos dos populares ia pondo nos bolsos, mas em nenhum momento enfiou a mão no bolso para dar esmola, apesar do assédio de pedintes em Juazeiro do Norte.O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, que continua estremecido com Lúcio por conta da disputa estadual, desfiou um rosário de adjetivos, pedindo votos para Alckmin. Do prefeito de Barbalha, Romel Feijó, do PTB, que chamou Alckmin de dr. Geraldinho, só ouviu elogios. De seu lado, para não pedir votos, Alckmin dizia apenas expressões como "temos uma caminhada pela frente" ou "uma longa jornada".As estocadas a Lula dominaram os discursos dos tucanos que acusam Lula de extrapolar as regras da reeleição, como "o uso de rede nacional de TV para se autopromover" e sua participação no encontro nacional do PT, custeada pelos cofres públicos. Para justificar, Alckmin disse que suas despesas de viagem estão sendo pagas pelo PSDB que estaria cumprindo à lei ao organizar apenas eventos em recintos fechados.Ainda na estratégia de neutralizar a força de Lula no Nordeste, Alckmin cobrou investimentos do governo do PT na região. Na avaliação do PSDB, Lula conseguiu se consolidar às custas do programa Bolsa Família e não por meio de obras de infra-estrutura e geração de empregos.Embora reconheçam ser uma política assistencialista, o PSDB não quer perder votos nas camadas mais pobres. Por isso, a alternativa é sustentar que a origem do Bolsa Família está no governo Fernando Henrique, que vai ampliá-lo e não acabar com o programa como os adversários estão espalhando entre os eleitores.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.