Sebastiao Moreira/Efe
Sebastiao Moreira/Efe

Alckmin ‘vitamina’ orçamento e quer gastar 26% a mais

São Paulo prevê gastar R$ 226 mi com propaganda em 2013; ideia é colar no governador, candidato à reeleição, projetos bem-sucedidos

Bruno Boghossian e Julia Dualibi, O Estado de S. Paulo,

10 de fevereiro de 2013 | 08h42

O governo de São Paulo aumentou em 26% seu orçamento com ações de publicidade em 2013, em comparação com as despesas ordenadas durante o ano passado. A gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição em 2014, prevê gastar R$ 226 milhões para divulgar suas realizações e veicular propagandas de utilidade pública.

Nos bastidores, a equipe de Alckmin admite que precisa vitaminar a divulgação das ações da gestão para colar no governador os projetos considerados bem-sucedidos da sua gestão. Inicialmente, não estava nos planos de Alckmin aumentar os gastos com publicidade neste ano. Mas ele acabou convencido por integrantes do governo, que apontaram a importância estratégica das campanhas de marketing.

Ao assumir o governo, em 2011, Alckmin apertou o cinto do departamento de comunicação: gastou R$ 118 milhões do orçamento de R$ 225 milhões elaborado pela gestão dos antecessores, José Serra e Alberto Goldman, ambos do PSDB. O aumento de gastos com publicidade no ano pré-eleitoral é comum no governo paulista. Em 2009, Serra atingiu o pico das despesas de propaganda de seu mandato, com R$ 311,7 milhões, em valores atualizados pela inflação. No ano seguinte, ele disputou a Presidência da República.

Neste ano, o orçamento paulista de R$ 226 milhões com propaganda não inclui a previsão de gastos das empresas públicas - como o Metrô, a Sabesp e a Dersa, que costumam lançar campanhas publicitárias a partir das diretrizes do governo. O Palácio dos Bandeirantes não informou o orçamento desses órgãos com publicidade para este ano.

Com a ampliação das despesas de comunicação, o governo pretende expandir a divulgação de programas nas áreas de saúde, educação e serviços. Entre as campanhas previstas para 2013 estão o combate ao uso de crack, a fiscalização do consumo de álcool por menores de idade, a abertura de novas unidades de reabilitação de pessoas com deficiência e a criação da rede estadual para tratamento de câncer.

O governo paulista também pretende divulgar um programa de expansão da rede de escolas de tempo integral e a construção de novas unidades do Detran e do Poupatempo. Parte desses projetos é citada por integrantes da administração como potenciais marcas da gestão de Alckmin. O governador cobra da equipe a criação de marcas e já disse aos secretários que a aprovação de seu governo está amparada na sua imagem pessoal, bem avaliada pelos paulistas.

O Palácio dos Bandeirantes passou a se empenhar na aceleração de obras e programas sociais, com o objetivo de chegar a 2014 com vitrines fortes para o embate eleitoral. Nas reuniões com secretários, Alckmin determinou que cada integrante de seu gabinete viaje pelo Estado para participar de cerimônias que marquem o início e a conclusão de projetos simbólicos. O tucano quer que as pastas acelerem a execução dos programas.

Informação

A gestão Alckmin informou, por meio da assessoria de imprensa, que "os valores destinados a ações de publicidade são compatíveis com a necessidade do governo de informar a população e prestar contas". Segundo o Bandeirantes, em 2013 estão previstas novas ações do governo e o reforço das existentes, que exigirão "esforço adicional de comunicação". O governo disse ser "importante ressaltar" que "a lei orçamentária é autorização legislativa para gastos, que não precisa ser integralmente cumprida" e que "os recursos estão, nesse momento, contingenciados em 20%".

 
Tudo o que sabemos sobre:
Geraldo AlckminPSDBSão Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.