Gilberto Marques/GOVSP
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Alckmin vai acertar com Temer a saída do PSDB

Executivo. Governador paulista, que vai assumir a presidência da sigla, reafirma decisão por desembarque; tom das declarações, porém, causa desconforto no Palácio do Planalto

Vera Rosa, Elisabeth Lopes, Thiago Faria e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2017 | 22h00

BRASÍLIA – Pré-candidato do PSDB à Presidência, o governador Geraldo Alckmin (SP) confirmou nesta terça-feira, 28, que os tucanos vão desembarcar do governo quando ele assumir o comando do partido, o que deve ocorrer na convenção do próximo dia 9. O tom das declarações de Alckmin incomodou o Palácio do Planalto e levou o presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR), a cobrar respaldo na transição até 2018. O presidente Michel Temer vai conversar com o governador, no próximo sábado, 2, em Limeira (SP), para acertar quando será a saída do PSDB.

O desconforto no Planalto foi provocado principalmente pelo fato de Alckmin dizer que, se dependesse dele, a sigla nem teria se aliado a Temer. “Eu sempre fui contra participar do governo. Acho que não tinha razão para o PSDB participar, indicar ministro”, afirmou o governador, em entrevista à Rádio Bandeirantes.

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Alckmin lembrou que o tucano Bruno Araújo já deixou o Ministério das Cidades, disse que “outros terão de sair pelo prazo de desincompatibilização” e pregou uma “política diferente” de agora em diante. “Mas votaremos medidas de interesse do País, independentemente de termos cargos, ministérios ou participar do governo”, insistiu.

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Questionado se o PSDB abandonaria Temer, Alckmin foi evasivo. “Abandonar no sentido de não ter compromisso, não. Porque temos compromisso, responsabilidade e temos que dar sustentação na Câmara e votar projetos de interesse do País”, argumentou.

Na avaliação de auxiliares de Temer, o governador começou a dar “sinais dúbios” em sua campanha. O Planalto e a cúpula do PMDB têm interesse em montar uma frente de centro-direita com partidos como PSDB, DEM, PP, PR, PSD e PRB para disputar a eleição presidencial de 2018, mas ainda há um clima de mágoa e desconfiança em relação aos tucanos.

“Prefiro acreditar que o PSDB vai ter juízo e somar forças para ajudar a gente a concluir essa transição. Alckmin tem que conversar com os outros partidos e dizer a que veio”, afirmou Jucá. “Existe chance para fazermos uma coligação com os tucanos, mas isso depende das ações. Quero saber como o PSDB vai votar na reforma da Previdência. Na política, os atos valem mais do que as palavras.”

Embora Alckmin tenha falado novamente em desembarque, na prática não se sabe como será essa saída. O ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, deve ser substituído pelo deputado Carlos Marun (PMDB-MS), mas pode ser deslocado para outro cargo na equipe. Luislinda Valois (Direitos Humanos) vai deixar o cargo em breve e Aloysio Nunes Ferreira permanecerá no Itamaraty.

“Essa questão do desembarque já está superada. É um falso dilema. Falta marcar a data. Levar esse tema à convenção é um desrespeito ao próprio PSDB. O que temos de discutir é o leque de alianças que o PSDB deve buscar”, afirmou o senador Aécio Neves (PSDB-MG), principal fiador da participação dos tucanos na gestão Temer.

‘Jim Jones’. Para Jucá, o governador de São Paulo terá o desafio de enfrentar a pressão dos chamados “cabeças pretas”, que defendem o afastamento do governo, se quiser contar mais adiante com o apoio do PMDB. “Os cabeças pretas querem que Alckmin tome o ponche do Jim Jones”, ironizou o senador, em uma referência ao pastor que convenceu mais de 900 pessoas a se matarem na Guiana, em 1979.

Na avaliação do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), pré-candidato ao governo da Bahia, o fato de o PSDB “se arrumar” internamente é o primeiro passo para a construção de uma aliança em 2018. “Mas isso não significa que nada será automático. Se quiser parceria, em algum momento o PSDB terá de nos procurar”, disse ele.

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