André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Alckmin testa força com temas de alcance nacional

Governador paulista rompe isolamento, participa de debates na Câmara e disputa com o senador Aécio Neves o protagonismo no PSDB e na oposição

ERICH DECAT, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2015 | 02h02

BRASÍLIA - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), aproveitou sua passagem por Brasília para se aproximar de correligionários e testar sua força dentro do PSDB. Usando temas de forte repercussão nacional, como a redução da maioridade penal, e de grande impacto político entre prefeitos e governadores, caso da revisão do pacto federativo, Alckmin participou de debates na Câmara e de uma reunião com a bancada tucana na Casa.

Com os deputados do partido, foram discutidas as propostas dos tucanos para a redução da maioridade. A legenda atualmente tem quatro propostas distintas, mas que "podem ser convergentes" na leitura das principais lideranças. Para o grupo de Alckmin, mais do que o interesse no tema, a discussão visa colocá-lo num embate nacional num momento-chave em que a sigla tem demonstrado "patinar" em alguns temas polêmicos pautados no Congresso Nacional. Quanto ao tema de impacto político, o governador defendeu propostas para o pacto federativo em reunião na Câmara. Entre elas, a reforma do ICMS, convalidação da guerra fiscal, redução das alíquotas interestaduais em cinco anos e criação do fundo de desenvolvimento e de compensação.

2018. O gesto político da viagem do governador paulista despertou certos interesses. Um deles, de parte dos deputados e senadores do PSDB, é o de um posicionamento mais incisivo na direção da disputa presidencial em 2018. Inicialmente, o nome do atual presidente do partido, senador Aécio Neves (MG), é considerado natural.

A possibilidade de Alckmin disputar a Presidência da República em 2018 nunca foi descartada. A discussão do tema neste momento, porém, é rejeitada pelo governador. Há o receio de que, ao se colocar como potencial candidato presidencial a três anos da disputa, tal iniciativa poderá desgastá-lo na condução do governo de São Paulo, maior colégio eleitoral do País. Teme-se que os recursos federais e parcerias que o paulista deseja para tocar o Estado sejam diminuídos. Em razão disso, a ideia é fazer uma "política de boa vizinhança" com o Palácio do Planalto. "Acho que é um esforço positivo (programa de concessões) no momento de crise grave que o Brasil está atravessando, de grande sofrimento para os brasileiros. É mais investimento. Tem participação do setor privado, dos Estados. Investimento que vai ajudar a sair da crise", afirmou Alckmin, no Palácio do Planalto.

Paralelo às movimentações, o governador paulista também deve ver ampliado o número de aliados dentro da Executiva Nacional do PSDB, que será eleita em julho. O atual secretário de Logística e Transporte estadual e presidente do partido no Estado, Duarte Nogueira, deve ocupar uma vice-presidência. Além dele, o deputado Silvio Torres foi indicado para ocupar a secretaria-geral, segundo posto na hierarquia do partido.

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