Felipe Rau|Estadão
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Alckmin tenta minimizar racha ao lançar Doria

Tucano convoca governadores para participar de convenção que vai oficializar candidatura a prefeito de SP; ideia é mostrar força nacional

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2016 | 05h00

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) “convocou” quatro governadores tucanos e lideranças partidárias nacionais para a convenção que oficializará neste domingo, 24, a candidatura do empresário João Doria à Prefeitura de São Paulo. Para compensar a ausência de quadros paulistas históricos do partido, Alckmin pretende fazer do evento uma demonstração de sua influência, apesar das faltas já anunciadas.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o chanceler José Serra, o ex-governador Alberto Goldman e o senador José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela, não participarão do ato. A única presença paulista de peso será a do senador Aloysio Nunes Ferreira.

O presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (MG), também não virá à capital, mas já gravou uma mensagem para expressar a chancela da Executiva Nacional. “As disputas existem e fazem bem à política, mas neste instante é hora de unidade e de concentrarmos nossos esforços em torno do candidato do PSDB”, afirmou Aécio, no vídeo.

Os governadores Beto Richa (PR), Marconi Perillo (GO), Pedro Taques (MT) e Reinaldo Azambuja (MS) confirmaram participação no evento. Também estarão em São Paulo os dirigentes dos nove partidos que formam a coalizão – os maiores são PSB, PP e DEM.

Doria vai anunciar hoje mais adesões à sua candidatura. “A convenção do PSDB será uma demonstração da força, da integração partidária e da relação do Geraldo (Alckmin) com outros partidos”, afirmou o pré-candidato.

Ao comentar as ausência, Doria lembrou que Fernando Henrique “nunca participou” de uma convenção municipal, exceto quando ele próprio foi candidato, na década de 1980. Já Serra, segundo ele, deverá estar em uma viagem ao exterior. “Não há divisão. Não dá para classificar o PSDB como um partido dividido. Quem faz o PSDB são seus filiados. O PSDB cada vez menos é um partido de caciques”, disse Doria.

Nunca antes. Pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2018, Alckmin apoiou Doria nas prévias tucanas da capital à revelia das principais lideranças do PSDB paulista.

Quadros como Fernando Henrique, Serra, Nunes e Goldman apoiaram a pré-candidatura do vereador Andrea Matarazzo, que migrou para o PSD e também se lançou pré-candidato.

A disputa interna no PSDB provocou um racha sem precedentes. Goldman, que é vice-presidente nacional do PSDB, e Aníbal denunciaram Doria ao Ministério Público Eleitoral por compra de votos e abuso de poder econômico.

“O episódio das prévias foi extremamente traumático para o PSDB. Ele (Doria) obteve a legenda de forma ilegítima. Não vou compactuar com isso”, disse Goldman ao Estado. “A candidatura divide o partido”, afirmou o ex-governador.

Aliados de Alckmin e Doria, por sua vez, minimizam a fissura interna. “A candidatura do João (Doria) unifica o partido. As dissidências não vão atrapalhar o desempenho dele”, afirmou o deputado federal Silvio Torres (SP), secretário-geral do PSDB nacional.

Vice. O comando da campanha de Doria e o PSDB devem definir hoje o nome do candidato a vice-prefeito na chapa. A tese majoritária é a de que seja lançada uma “chapa pura” – ou seja, com dois tucanos. O nome mais cotado é o do deputado federal Bruno Covas, que disputou o primeiro turno das prévias do partido.

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