Alckmin só quer na TV vereador que declare voto

'Quem não pedir voto para o candidato não grava', avisa coordenador da campanha tucana

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

11 de agosto de 2008 | 00h00

O candidato Geraldo Alckmin (PSDB) disse ontem que, se eleito, não terá dificuldades para se entender com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e conseguir verbas para São Paulo. Difícil, até o momento, tem sido se entender com os vereadores de seu próprio partido, que se negam a pedir votos para ele no programa de TV. O coordenador da campanha, deputado Edson Aparecido, deixou claro - quem não pedir votos para Alckmin não vai aparecer na TV."Não há nenhuma hipótese. O programa é dirigido pela candidatura majoritária. Quem não pedir voto para o candidato não grava", advertiu Aparecido, invocando a unidade de discurso na TV. A queda-de-braço com os vereadores, que querem apoiar a candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM), se arrasta desde o início da campanha e se acirra agora porque o horário eleitoral gratuito começa no dia 19.Ontem o vereador José Police Neto, o Netinho, disse que a maioria da bancada tucana continua firme: "A decisão de um será a decisão de todos." Mas a prática tem se mostrado diferente. Ontem, uma caminhada de Alckmin pelas ruas de Vila Brasilândia e Mandaqui foi intensamente apoiada por um carro de som e militantes da campanha de Claudinho, um dos vereadores rebeldes. Outros militantes distribuíam "santinhos" do vereador Adolfo Quintas com Alckmin.Aparecido contou que, depois de semanas de queda-de-braço, apenas dois vereadores se negam a pedir voto para Alckmin na TV - Gilberto Natalini e Ricardo Teixeira. Mas Netinho alega que o entendimento foi intermediário: "Não nos sentimos confortáveis para pedir voto, mas podemos acompanhar a campanha de Alckmin nas ruas", relatou.Netinho alega que, quando fizeram o acordo chancelado pelo senador Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB, ficou acertado que os vereadores comandariam o programa proporcional. E nele diriam o que quisessem. Aparecido rechaça essa possibilidade: "Sem chance de isso acontecer."PRAZOA pressão colocada pelo coordenador da campanha de Alckmin coincide com o fim do prazo para os vereadores tomarem uma decisão. Eles têm de decidir o que farão até amanhã, admite Netinho, que critica o método de Aparecido: "Acho que não cabe imposição como essa porque, se for eleito, Alckmin vai precisar de maioria na Câmara", observou.Outro fator de pressão que se coloca sobre a bancada tucana, além da gradativa aproximação de alguns vereadores rebeldes, é que candidatos de partidos aliados se multiplicam em torno de Alckmin. Ontem ele foi acompanhado por 11 desses candidatos, dos quais apenas três eram do PSDB. Assim, os votos potencialmente influenciados pelo candidato majoritário ameaçam refluir para outros partidos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.