Alckmin só não é candidato 'se não quiser', diz José Aníbal

Deputado tucano nega relação entre liderança na Câmara e disputa entre Alckmin e Serra em SP

Carmen Munari, da Reuters,

15 de fevereiro de 2008 | 09h30

O deputado José Aníbal (PSDB-SP) deu apoio ao ex-governador Geraldo Alckmin na corrida pela Prefeitura de São Paulo nas eleições deste ano. Em entrevista à Reuters, inicia dizendo espontaneamente que sua eleição para a liderança da bancada tucana na Câmara nada tem a ver com Alckmin. Pouco depois, no entanto, admite que o ex-governador é o melhor quadro para uma candidatura da sigla à prefeitura. "Defendo a candidatura do partido em São Paulo. O PSDB tem forte presença na cidade e a legenda tem um quadro com alta intenção de voto", disse Aníbal à Reuters, referindo-se a Alckmin. "O Geraldo foi governador duas vezes e candidato a presidente, o que o qualifica. A não ser que ele não queira ser candidato."   Inimigos íntimos A candidatura na capital paulista opõe o grupo de Alckmin ao do governador de São Paulo, José Serra, considerado o grande derrotado na eleição para a liderança do partido realizada na quarta-feira. Nos bastidores, Serra defendia o nome do deputado Arnaldo Madeira (SP), que recebeu 22 votos, contra 36 de Aníbal. Para a prefeitura, Serra atua reservadamente pela candidatura do atual prefeito Gilberto Kassab, do Democratas, deixando para Alckmin a disputa ao governo paulista em 2010. Este seria o cenário para pavimentar sua candidatura à Presidência da República daqui a dois anos. Garantiria o apoio do DEM e não teria Alckmin na disputa ao Planalto. Alckmin, por seu lado, vem repetindo a mesma postura de quando terminou escolhido candidato da sigla a presidente em 2006. Insiste em sua meta de concorrer na capital e faz um trabalho de convencimento constante junto às bases da legenda. "A vitória de Aníbal reforçou muito a candidatura Alckmin dentro do partido", afirmou um deputado estadual próximo ao ex-governador, que não quis ter seu nome revelado. Estilo 'caipira'   O parlamentar conta que Alckmin, por ser do interior de São Paulo, usa um "estilo caipira" de convencimento: conversa muito e sempre, telefona em datas importantes como nos aniversários dos colegas de partido e fala "mais ao coração do que à razão". Com este comportamento, ele atingiria principalmente o "baixo clero" do PSDB, gente descontente com a concentração de decisões na cúpula da sigla. Por isso, entre seus apoiadores, é consenso que Alckmin sairá candidato mesmo que tenha que enfrentar Kassab nas urnas, rachando a aliança PSDB-DEM e, assim, ampliando as possibilidades da possível candidata do PT, a ministra do Turismo, Marta Suplicy. "Segundo turno é para isso", observou Aníbal sobre as intenções de Alckmin, mas deixando a porta aberta ao afirmar que "há tempo para conversar". De quebra, a liderança de Aníbal agrada também ao governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que vem se posicionado a favor de Alckmin como parte de sua meta de se candidatar à Presidência, distanciando-se de Serra.   Oposição   Quanto ao governo Lula, deve esperar a partir de agora uma oposição mais agressiva por parte dos deputados tucanos. Aníbal promete atuação crítica e questionadora - atitude que agrada a Alckmin. Serra, como se viu em sua defesa da continuidade da CPMF, está em momento de não agressão com o Planalto. A CPI dos cartões corporativos federais e a proposta que altera o trâmite das medidas provisórias no Congresso serão os principais embates da bancada nos próximos meses.

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