Alckmin segura DEM na aliança com pasta forte

Rodrigo Garcia assume o Desenvolvimento Social com programas de forte apelo eleitoral; em troca, sigla apoiará tucanos

Julia Duailibi, de o Estado de S. Paulo, e Gustavo Uribe, da Agência Estado

02 de maio de 2011 | 23h00

No momento em que os partidos de oposição perdem quadros tradicionais, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, consolidou nesta segunda-feira, 2, o apoio do DEM ao projeto eleitoral do PSDB no Estado de São Paulo. O tucano entregou uma das principais vitrines do governo paulista à sigla aliada, antigo PFL.

 

Em cerimônia simbólica no Palácio dos Bandeirantes, que contou com a presença das principais lideranças do DEM e dos articuladores políticos do governador, Alckmin deu posse ao deputado federal Rodrigo Garcia (DEM) na Secretaria de Desenvolvimento Social.

 

Para fechar o acordo com os democratas, o governador paulista prometeu o fortalecimento da pasta, que possui programas sociais como Bom Prato, Viva Leite e Ação Jovem. Em conversas com as lideranças do DEM na semana passada, Alckmin teria dado garantias de que o orçamento da pasta não só será mantido, como turbinado. Uma das metas é duplicar até o final do ano as bolsas concedidas por meio do Ação Jovem, projeto que concede bolsas de adolescentes de R$ 80 para jovens entre 15 e 24 anos.

 

Em troca do apoio do DEM, o governo paulista pretende manter os programas que estão na secretaria, que passará a ter também uma função de articuladora de projetos sociais de outras pastas, como as creches, de responsabilidade da Educação.

 

O ex-secretário Paulo Barbosa (PSDB), que assume o Desenvolvimento Econômico, chegou a articular nos bastidores para ficar com programas-vitrine da secretaria, mas foi vencido pela decisão política do governador de prestigiar o DEM e evitar que quadros do partido migrem para o PSD, sigla a ser criada pelo prefeito Gilberto Kassab.

 

Nessa segunda era dada como certa a permanência de Marco Bertaiolli, prefeito de Mogi das Cruzes, no DEM. Ele já havia anunciado que pretendia migrar para a legenda de Kassab.

 

Tucanos e democratas classificaram como "histórica" a aliança entre as duas legendas. Alckmin defendeu a união dos partidos, embora tenha descartado uma fusão no curto prazo. No final de semana, o governador encontrou-se com o senador Aécio Neves, para quem minimizou a crise pela qual o partido passa.

 

"Nós reafirmamos uma aliança que mudou o País", disse Alckmin, que defendeu os programas sociais criados pelos tucanos na presidência de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e dizer que a gestão do tucano inseriu o País no âmbito mundial. "É tão patriótico ser governo como ser oposição", disse Alckmin, para quem o País não é "vocacionado" a ter partido único.

 

"O encontro foi muito representativo dessa união", afirmou o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA). Cerca de 800 pessoas participaram do evento, entre as quais mais de 60 dos 70 prefeitos do DEM no Estado. "O casamento está feito", completou o presidente do DEM, senador José Agripino Maia, que defende a aliança compulsória entre as duas legendas.

 

Pela manhã, em Ribeirão Preto (SP), Alckmin afirmou que "não há debandada de prefeitos". Segundo ele, nenhum prefeito deixará o DEM. / COLABOROU GUSTAVO PORTO

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