Alckmin rebate críticas de especialistas

O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) reagiu hoje com tranqüilidade à avaliação de especialistas em segurança que criticaram a participação dele no caso do empresário Sílvio Santos. Em sua primeira entrevista coletiva, após o fim do episódio, o governador classificou a situação de "absolutamente excepcional" e disse que "faria tudo de novo". "Era uma situação difícil, não dá para prever o que teria acontecido. Há risco em qualquer que seja a atitude tomada." Ontem, Fernando Dutra Pinto, que havia seqüestrado Patrícia Abravanel, filha do empresário, invadiu a residência da família, às 7h. Sílvio foi mantido refém por cerca de sete horas.O governador foi avisado do caso pouco depois, por telefone, pelo secretário estadual de Segurança Marco Vinício Petreluzzi. Os dois decidiram que seria mais acertado Alckmin manter sua agenda de compromissos em Jundiaí e outras cidades da região e permanecer informado sobre a evolução do caso por Petreluzzi. "Quando me preparava para ir ao segundo evento, o secretário me ligou e relatou o pedido do Sílvio Santos, dizendo que minha presença poderia ajudar na solução do problema", contou Alckmin.Polícia decidiu pela intervenção de AlckminApós a ligação, Alckmin cancelou a agenda do dia e retornou ao Palácio dos Bandeirantes, mas ainda não tinha definido sua participação no caso. A avaliação do comando da PM, após horas de tentativas de negociação, foi a de que a presença de Alckmin poderia ajudar. "Cada caso é um caso. Eu nunca fui chamado para isso. Aliás, eu não iria se não fosse solicitado. Nem se, além de solicitado, a polícia não entendesse que isso poderia colaborar", afirmou Alckmin. "Tenho minha consciência tranqüila. Eu, particularmente, prefiro errar pela ação do que pela omissão", disse. "O fato concreto é que 15 minutos depois o problema foi resolvido: o seqüestrado foi libertado, com absoluta integridade, o criminoso preso e o dinheiro recuperado", resumiu Alckmin.Questionado mais de uma vez sobre a possibilidade de se abrir um precedente - ao entrar no caso por exigência do seqüestrador e apelo do empresário -, Alckmin disse que agiu após decisão da polícia, esta sim responsável por toda a negociação. "Esse foi um caso excepcional. Não há nada parecido no mundo. A negociação foi conduzida pelo capitão Lucca, que é um especialista, um profissional altamente competente e nunca se imaginou atender nenhum pedido de fuga, por exemplo."O capitão Diógenes Della Lucca é o comandante do Grupo de Ações Táticas Especiais e junto com o coronel Ruy Cesar Mello, Comandante Geral da PM, coordenou o cerco e a negociação com o seqüestrador. "Eu fiquei do lado de fora, me identifiquei e disse que a vida dele (seqüestrador) estava garantida. Não ouvi nunca a voz do seqüestrador. O empresário Sílvio Santos, que é um bom comunicador, dominou a situação, foi conversando", contou Alckmin.O diálogo entre Sílvio e Fernando, segundo a avaliação de Alckmin, foi fundamental para a solução do caso. "Ele (Sílvio) falou que faria o possível para ajudar o rapaz e que entendia a gravidade da situação. Enfim, o que uma pessoa seqüestrada, com um revólver apontado para cabeça, vai falar numa situação dessas? Ele foi calmo e conduziu bem a situação. O rapaz acabou entregando uma arma, depois a outra e o capitão Lucca entrou. Não demorou mais do que dez minutos", contou Alckmin.Reforço na segurançaSobre a atuação de investigadores da polícia civil, na frustada operação de captura do seqüestrador, na noite de quarta-feira, num hotel em Barueri, Alckmin afirmou que o procedimento técnico adotado pelos policiais será investigado. "Foi uma ação local. Se houve algum erro, deve ser apurado e corrigido. Não sei se houve erro. O que eu sei é que dois policiais morreram", disse Alckmin. Apesar do aumento do número de casos de seqüestro, ele reafirmou que não considera a questão da segurança o ponto fraco do seu governo."Acho que nunca se fez um esforço tão grande na área de segurança pública como o que está sendo feito hoje" disse. Segundo Alckmin, nos últimos seis meses houve compra de equipamento, colete a prova de balas, armamento, viatura, nomeação de delegados, investigadores, lei para a contratação de 4 mil guardas de muralhas que permitirá substituir os PMs, trazendo-os de volta para a rua, integração das polícias, novos centros de detenção provisória, novas penitenciárias. "A luta não termina, é permanente e a polícia está aparelhada para fazê-la", disse Alckmin.Problema do Maluf é com a polícia, rebate AlckminGeraldo Alckmin rebateu nesta tarde as críticas feitas pelo ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PPB), que divulgou nota lamentando a decisão do governador de ter ido ontem à mansão do apresentador e empresário Sílvio Santos, a pedido do seqüestrador, Fernando Dutra Pinto. Na nota, o ex-prefeito acusa Alckmin de inexperiente e diz que ele abre um precedente perigoso. "O problema do Maluf não é com a política. É com a polícia. E a experiência dele eu não quero ter", declarou Alckmin, durante evento na Assembléia Legislativa da capital.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.