Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Alckmin reage a críticas a hino da Internacional Socialista e diz que Brasil vive 'quadra triste'

Mourão e Collor postaram críticas a ato político do PSB em redes sociais

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2022 | 20h26

BRASÍLIA — Cristão novo no PSB, o ex-governador Geraldo Alckmin disse se sentir “em casa” e minimizou as críticas de adversários ao Hino da Internacional Socialista, executado na véspera, durante a abertura do Congresso do partido. Candidato a vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Alckmin afirmou que o Brasil vive “uma quadra triste”, com ataques à democracia e uma “agenda de crise” produzida pelo governo.

O ex-tucano estava ao lado de Lula, na noite de quinta-feira, quando o Hino da Internacional entrou em cena no auditório do hotel onde ocorreu o ato político, em Brasília. Antes, porém, com a plateia em pé, foi tocado o Hino Nacional.

O vice-presidente Hamilton Mourão aproveitou a polêmica para publicar no Twitter uma foto da Bandeira  do Brasil, com uma mensagem cifrada. “Os brasileiros que verdadeiramente amam o Brasil e o seu povo cantam o Hino Nacional. Já os outros...”, escreveu o general.

Na mesma toada, o senador Fernando Collor (PTB-AL) postou nas redes sociais um vídeo de um debate com Lula, em 1989. “Veja o que eu já alertava há 33 anos”, destacou. A gravação mostra Collor dizendo que, em seu governo, os brasileiros cantariam o Hino Nacional, e não o da Internacional Socialista, e dariam um “não definitivo” ao caos e à bandeira vermelha. O discurso é igual ao do presidente Jair Bolsonaro.

Questionado sobre as “cobranças”, Alckmin preferiu não esticar o assunto. “A social democracia também teve origem na luta trabalhista”, argumentou ele, numa referência ao PSDB, partido que integrou por três décadas.

Filiado ao PSB há apenas 38 dias, Alckmin circulou com desenvoltura no Congresso do PSB e posou para fotos com correligionários. Ouviu alguns deles dizerem ao microfone, porém, que, se a aliança não for ampliada, a chapa Lula-Alckmin corre risco de perder a eleição.

“Esta é a eleição mais importante de nossas vidas”, afirmou o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), repetindo frase do presidente do PSB, Carlos Siqueira. “Se perdermos estas eleições, perderemos o Brasil”, emendou.

A pré-candidatura de Molon ao Senado provoca impasse nas negociações entre o PT e o PSB. Os petistas ameaçam retirar o apoio à campanha de Marcelo Freixo ao governo do Rio, caso o PSB não avalize o nome do presidente da Assembleia Legislativa fluminense, André Ceciliano (PT), na corrida para o Senado.

Em discurso no Congresso do PSB, Molon chegou a dizer que o Supremo Tribunal Federal (STF) não resistirá a mais quatro anos de Bolsonaro. “Estas não são eleições normais. Os critérios para construir as chapas não podem ser apenas partidários”, insistiu o deputado.

Sentado à mesa, Alckmin assentiu com a cabeça. Mais tarde, quando repórteres lhe pediram uma avaliação sobre o fato de Bolsonaro ter desafiado o Supremo, concedendo indulto ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) – condenado por estimular atos antidemocráticos –, o ex-governador disse que atitudes assim são típicas das autocracias.

“É lamentável que um presidente trabalhe contra as instituições e inimaginável que um dia chegássemos a esse ponto”, observou Alckmin. Mas como enfrentar isso? “Só com eleição. É o povo que decide”, respondeu o vice de Lula.

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