Alckmin quer 'corrigir' pedágios

O candidato do PSDB ao governo de SP, Geraldo Alckmin, foi sabatinado pelos jornalistas do 'Estado'

Roberto de Almeida, de O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 10h06

SÃO PAULO - O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, detalhou ontem, durante sabatina promovida pelo Grupo Estado, como pretende fazer alterações nos pedágios das estradas de São Paulo, caso seja eleito. Segundo Alckmin, os 18 contratos com as concessionárias serão revistos. “Vamos analisar contrato por contrato – um por um, os 18 – para verificar se são favoráveis ao Estado”, afirmou o candidato tucano.

Em encontro realizado no auditório do Estado, com mediação de Roberto Godoy e participação dos jornalistas Décio Trujillo, Luís Fernando Bovo e Fausto Macedo, Alckmin não poupou ataques ao PT, mas, ao mesmo tempo, minimizou a presença do presidente Lula no programa de TV do presidenciável tucano José Serra. “A política exige civilidade”, observou.

Alckmin afirmou ainda estar seguro de que Serra estará no segundo turno da disputa e prometeu reforçar a campanha do tucano – apesar de não ter contado com seu apoio em 2008, quando perdeu a disputa para a Prefeitura de São Paulo. “Em eleição a gente não deve transferir responsabilidade (pela derrota). A responsabilidade é minha.”

 

Correção dos pedágios

 

Quando o governador Mário Covas assumiu em 1994, o Estado não tinha recursos. Para se ter uma ideia, em janeiro de 1995 não foi pago salário para os funcionários do Estado porque não tinha dinheiro. O governador corretamente fez um programa de concessão onerosa. Agora o que acontece? Na região de Campinas tem locais onde a praça de pedágio está muito perto da comunidade, de uma cidade, de um bairro. Então você transita em um trecho pequeno e paga tarifa cheia. Vamos corrigir. Já detectamos Paulínia, Jaguariúna e Indaiatuba. E vamos fazer a correção. O governo reequilibra o contrato - vamos analisar contrato por contrato, um por um, os 18 - para verificar a hipótese de reequilíbrio favorável ao Estado. Nesse reequilíbrio, se tiver espaço, pode-se exigir mais obra ou reduzir tarifa.

 

Eventualmente, pode-se dar um bônus para comunidades locais, ou deixar passar direto. Vale a pena prorrogar o contrato para corrigir a tarifa? Vale a pena o seu Estado, que investe R$ 20 bilhões, abrir mão do ônus que ainda tem a receber? Tem uma série de coisas que estamos estudando. Mas o fato é que essa história de que o governo é provedor de tudo, tem dinheiro para tudo, não é verdadeira.

 

Trem-bala

 

O chamado TAV, trem de alta velocidade, eu acho ótimo. Tudo o que pudermos fazer de transporte coletivo, ferroviário, eu sou favorável. No que São Paulo puder ajudar, vamos ajudar. A ideia inicial é você ter (o trem) nas três regiões metropolitanas. Sai de Campinas - Viracopos, pode ter parada opcional em Jundiaí, passa por São Paulo - Campo de Marte, depois Cumbica, São José dos Campos, tem parada opcional em Aparecida, depois Barra Mansa e Galeão, no Rio de Janeiro. O governo de São Paulo vai ajudar, eu vou ajudar. Agora quero deixar claro que hoje não tem projeto executivo, não tem licença ambiental, não tem nada. Tem uma proposta. Eu acho ótimo, no que São Paulo puder, vai ajudar. Mas é uma coisa muito verde ainda.

 

Abertura da Copa de 2014

 

Para ser feita a abertura é preciso ter um estádio com 68 mil lugares. A mim sempre pareceu mais razoável o Morumbi. É um estádio grande, terá metrô na porta no começo de 2012. Está mais fácil fazer uma ampliação para a abertura da Copa. Para as exigências da Fifa, porém, os valores são muito altos. Tem duas soluções: ou o próprio Morumbi ou um estádio novo. Eu acho que o governo deve fazer com dinheiro público o que for permanente: levar o metrô, o trem, o VLT, a segurança e a saúde. Mas não pôr dinheiro público em estádio, que deve ser feito com dinheiro privado.

 

 

Quando o Covas assumiu a folha de salários do Estado era de R$ 381 milhões por mês. Hoje é de R$ 2,1 bilhões por mês. Como não teve aumento? E aumentou pouquíssimo o contingente. É 80% de aumento real. O número de ativos aumentou 5%. Não é o ideal o salário no Estado, não é. Um delegado de polícia ganha no início de carreira, no interior, R$ 5.480, na capital, R$ 5.800.

 

 Na média, um delegado ganha R$ 8,4 mil. Não é o ideal, nós vamos melhorar. Mas os resultados da segurança estão aí. No Brasil inteiro os índices de criminalidade cresceram. O de São Paulo caiu. Quanto ganha um soldado aqui em São Paulo? Ganha R$ 2,2 mil no interior, R$ 2,4 mil em São Paulo. Ele trabalha 12 horas por 36 de folga. Vamos fazer a atividade delegada e ele vai ganhar R$ 3,5 mil. Eu comecei a reduzir presos em cadeia. Eu pretendo em quatro anos zerar. Não vai haver mais um preso em cadeia. Com isso vai melhorar a Polícia Civil, que toma conta de preso, para ela fazer seu trabalho investigativo e judiciário.

 

O PSDB não tem nenhum medo de CPI na Assembleia. Aliás, tem várias funcionando na Assembleia. Nenhum problema. Primeiro, o Poder Legislativo é outro poder, o Executivo não manda no Legislativo. Segundo eu tenho impressão que hoje deve ter três ou cinco CPIs funcionando simultaneamente - um número que é estabelecido por lei. E tem CPI que nem se refere ao governo. Tem CPI de poluição atmosférica, CPI do Ibope, para ver se as pesquisas estão corretas, CPI do apito de futebol. Tem CPI do que você imaginar. Qual o problema? Pode investigar (o governo tucano). Se há governos sérios, transparentes, são os nossos governos.

 

A progressão foi implantada pela primeira vez pelo PT, pelo educador Paulo Freire quando a prefeita era a Luiz Erundina. O PT voltou à prefeitura e não mudou. É preciso fazer uma distinção. O aluno que falta é reprovado todo ano. Se ele não falta, vai à escola, por que não está aprendendo? O filho do rico tem reforço, querem o quê? Reprovar o filho do pobre? Dar um diploma de fracasso para uma criança? O que é que a pedagogia mostra? Que uma criança que repete duas ou mais vezes fica mais velha do que o conjunto da classe e ela acaba abandonando a escola. A evasão escolar, que era de 20% no ensino médio, hoje é 4%. E no ensino fundamental que era 7% hoje é 1%. O abandono da escola reduziu. Isso foi importante: não ter evasão escolar e ajudar criança, dar reforço.

 

O que justifica o Estado ter uma fundação (Fundação Padre Anchieta) para manter uma televisão e gastar R$ 80 milhões dos impostos públicos é o caráter cultural e educativo. Senão não tem justificativa. Precisamos dar fortemente caráter educativo e cultural. Pretendo usar a expertise da TV Cultura e criar a quarta universidade paulista, que vai ser uma fundação chamada Fuvesp. É ensino a distância. Temos de utilizar a tecnologia de informação, a TI, para expandir ensino gratuito e de qualidade. Nós já temos hoje a universidade virtual (da Unesp), e vamos utilizar muito a TV Cultura para chegar aos rincões, para muita gente que precisa. Aula a distância, ensino a distância e aula presencial. A Fuvesp, que é a Fundação para a Universidade Virtual de São Paulo. A TV Cultura vai ser um braço importante pela expertise que ela tem. E investir, sim, na modernização da TV Cultura com esse foco de que ela é um grande instrumento para a educação em São Paulo.

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