Alckmin quebra silêncio e critica governo Lula

Após passar um período distante das discussões envolvendo o governo federal, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, candidato derrotado do PSDB à Presidência, quebrou o silêncio nesta quinta-feira e criticou o governo, acusando-o de imobilismo e cobrando uma postura dura da oposição em relação ao Planalto.De acordo com Alckmin, o governo começa mal por condicionar a formação do ministério à eleição da mesa da Câmara. "Isso é inadmissível", disse ele para uma platéia formada por alunos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).Segundo o ex-governador, falta iniciativa para realizar as reformas necessárias, na visão dele, para que o País retome um crescimento mais vigoroso da economia. "Como pode um presidente pendurar as chuteiras antes de o jogo começar?", indagou. "Onde está a reforma tributária, a fiscal, a política?".Quanto ao papel da oposição, Alckmin disse que o momento é ruim e que os partidos oposicionistas tem que assumir a responsabilidade de promover a mudança. "O Brasil precisa ter uma oposição ambiciosa, cobradora, audaciosa", disse, ressaltando que "é tão patriótico ser oposição, quanto ser do governo".O ex-governador defendeu também que o embate com o governo federal fique a cargo do PSDB e dos parlamentares tucanos. Para ele, não é tarefa dos governadores fazerem a oposição ao Planalto. Recentemente, analistas políticos consideraram que o discurso de posse do atual governador de São Paulo, José Serra (PSDB), representou a assunção, pelo governante, do papel de principal opositor do governo federal. "Não é tarefa dos governadores fazer oposição", disse Alckmin.Para ele, o País precisa de uma "chacoalhão" para crescer mais e a oposição tem um papel fundamental nesse processo. "Nós vivemos um momento ruim e a oposição tem responsabilidade", afirmou. "Temos que chacoalhar a roseira".Indagado pelo promotor do evento e chefe da Divisão de Clínica Urológica da faculdade, professor Miguel Srougi, sobre qual deve ser o desempenho do Brasil nos próximos quatro anos, Alckmin disse que o cenário é muito bom, por conta da forte liquidez mundial. E, de acordo com ele, para aproveitá-la é necessário que se realizem reformas estruturantes. Insatisfeito, Srougi retrucou: "O senhor respondeu como se fosse presidente do PT".Este texto foi alterado às 13h38 para acréscimo de informação

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