Alckmin, que chamou Kassab de ''2 caras'', adere ao prefeito

Democrata, que no auge do enfrentamento disse que o tucano estava ?irreconhecível?, atribuiu os ataques do passado ao ?calor da campanha?

Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

15 de outubro de 2008 | 00h00

Depois de um embate acirrado no primeiro turno, com ataques pessoais e discursos inflamados contra o prefeito Gilberto Kassab (DEM), o candidato derrotado do PSDB em São Paulo, Geraldo Alckmin, declarou ontem apoio ao adversário na segunda etapa da disputa. Alckmin e Kassab encontraram-se para tomar um café no centro da cidade. As desavenças foram minimizadas e o discurso repetido de ambos os lados foi o de que a parceria é "muito natural".A aparição do tucano na campanha do prefeito foi acertada anteontem à noite por aliados dos dois. Cercado de correligionários, Alckmin e Kassab esforçaram-se para mostrar um clima de cordialidade. Logo de início trocaram um forte abraço, tomaram café e posaram para dezenas de fotos. O próprio prefeito colocou um adesivo de sua campanha na camisa do tucano. Alckmin deixou-se fotografar ao lado do antigo adversário com o "v" da vitória em uma das mãos. De lá entraram no carro do prefeito e seguiram juntos para uma visita ao terminal do Expresso Tiradentes, no Parque D. Pedro.Kassab recebeu o apoio com elogios ao tucano. "Para nós é muito importante, porque o governador teve uma expressiva votação no primeiro turno. Reconhecimento do bom trabalho que tem prestado ao longo de sua vida pública com correção, seriedade, espírito público." Alckmin retribuiu a gentileza, dizendo-se seguro da vitória do novo aliado: "Venho trazer meu apoio pessoal, que já havia externado por ocasião da manifestação partidária, me colocando à disposição do prefeito. Tenho absoluta confiança de que ele será bem-sucedido neste segundo turno."?RESPEITO?O clima de cordialidade passou também pelo ritual de pôr panos quentes nos ataques trocados no primeiro turno. Alckmin, que havia chamado Kassab de "dissimulado" e "duas caras" há menos de um mês, preferiu classificar o episódio como um "debate político e administrativo". "É o que deve ocorrer numa eleição, com respeito às pessoas", destacou. "Segundo turno é uma segunda eleição. Tem-se que fazer uma segunda opção."Kassab, que no auge do enfrentamento ironizou o tucano, dizendo que ele estava "irreconhecível", atribuiu ontem os altos e baixos ao "calor da campanha". "O calor da campanha sempre envolve e cria clima para a apresentação de críticas."Esforçando-se para deixar as divergências no passado, ambos adotaram o discurso de que a parceria PSDB e DEM é "natural". Kassab até argumentou que, por essa naturalidade, não há dificuldades para explicar a parceria. "O PSDB, os democratas e eu sempre caminhamos juntos em diversas oportunidades nos últimos anos. Circunstancialmente no primeiro turno não caminhamos, mas a aliança agora é muito natural e explicável para a sociedade", argumentou o prefeito.Alckmin negou que sua aparição ao lado de Kassab tenha sido uma imposição do PSDB. O partido, que disputou a campanha na capital paulista dividido entre as duas candidaturas, oficializou o apoio ao prefeito dois dias depois de declarada a derrota de Alckmin. "Não há nenhuma imposição. O partido tomou uma decisão correta e natural, da qual nós participamos. Fico muito feliz de trazer aqui um abraço ao prefeito Kassab", disse o ex-governador.2010A iniciativa do encontro partiu de Alckmin. Kassab não soube dizer se esse apoio se estenderá ao horário eleitoral gratuito com uma declaração do ex-governador no rádio e na TV. O prefeito também rechaçou qualquer ligação desse apoio hoje com uma futura parceria com Alckmin nas eleições ao governo estadual em 2010. "A discussão hoje é 2008", disse.Bem-humorado, Kassab brincou com Alckmin: "O governador começa bem. Ele já começou contribuindo com a campanha, pagou o café e já começa trabalhando. Vamos fazer uma vistoria no Expresso Tiradentes." O tucano riu e aceitou o convite.

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