José Patrício/AE
José Patrício/AE

Alckmin promete transparência absoluta a emendas e defende Bruno Covas

Segundo governador, secretário não ultrapassou sua cota de emendas: 'são programas do governo que ele interferiu'

Gerson Monteiro, especial para o Estado, SÃO PAULO

12 Outubro 2011 | 16h44

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), garantiu nesta quarta-feira, 12, que dará "transparência absoluta" às emendas parlamentares de 2007 a 2010. A afirmação do governador ocorre depois de ofício enviado pela bancada de seu próprio partido na Assembleia cobrando que o governo divulgue as emendas feitas pelos tucanos em anos anteriores.

"Em relação aos anos anteriores, também vão ser colocados na internet. Estamos levantando esses dados e também vão ser colocados na internet. Transparência absoluta", afirmou Alckmin em entrevista na Basílica Nacional de Aparecida (SP).

 

O governador sustentou não se sentir pressionado pelo PSDB. "Não, nem um pouco", disse apenas. Ele reforçou que o Palácio dos Bandeirantes sugere à Assembleia Legislativa que discrimine na peça orçamentária de 2012, que tramita desde 30 de setembro no legislativo paulista, as emendas parlamentares do ano que vem.

 

"Quando votar o orçamento, cada parlamentar já explicita a Santa Casa que quer atender, o município que quer atender, qual o programa que quer atender. Então já vem aprovado. A Assembleia terá que aprovar, pelos 94 deputados, e já vira publicado no diário oficial junto com o Orçamento de 2012". A Assembleia ainda não decidiu se aceitará a sugestão.

 

Bruno Covas

 

Alckmin afirmou haver "grande confusão" em matéria do Estado que mostrou que registros no site do secretário de Meio Ambiente, Bruno Covas (PSDB), dão conta de que ele conseguiu intermediar, só em 2010, R$ 8,2 milhões em emendas parlamentares. A cota anual de cada deputado paulista é de R$ 2 milhões.

 

"Há uma grande confusão. Ele não aprovou no ano passado R$ 8 milhões de emenda. (São) Programas do governo que ele interferiu, solicitou. São coisas diferentes. O deputado às vezes coloca lá no seu site: 'Pedi lá pra tal município, pra ter lá uma estrada vicinal, pra fazer determinada coisa', mas não é emenda parlamentar, é diferente". Segundo Alckmin, se o País não apressar uma reforma política, a situação pode piorar. "O modelo atual leva a distorções muito graves", afirmou.

 

O Presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e Cardeal Arcebispo de Aparecida, d. Raymundo Damasceno Assis, condenou a corrupção política no país e convocou os brasileiros a denunciarem. O desabafo foi feito durante as festividades no Santuário Nacional de Aparecida.

 

"Não podemos concordar com nenhuma forma de corrupção, pois os recursos são da população", afirmou. "A Igreja pede que as denúncias sejam investigadas", apelou.

De acordo com o Cardeal, as redes sociais estão exercendo um importante papel na mobilização contra a corrupção e criticou os deputados. "O Congresso está fazendo mais uma reforma eleitoral do que política".

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