Alckmin promete praticar "indulgência zero", começando pelos políticos

Depois das críticas que recebeu pela postura adotada na crise de segurança pública em São Paulo, o candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, incluiu o tema como uma das prioridades de sua plataforma de governo nesta campanha. O documento com as linhas gerais do programa dos tucanos, intitulado "Caminhos para o Desenvolvimento" e lançado ontem na convenção nacional da legenda, em Belo Horizonte, prevê: "Geraldo Alckmin vai praticar a indulgência zero, começando pelos políticos."Além da segurança pública, o esboço de programa do PSDB dedica amplo espaço aos temas econômicos, mas trata também de educação, área social, saúde e meio ambiente. Em 50 páginas, numa linha mais de propaganda eleitoral do que de execução de medidas propostas, "Caminhos para o Desenvolvimento" afirma que o Brasil "terá uma política econômica maiúscula" para o País voltar a crescer. Contudo, não faz uma análise do tripé da atual política - câmbio flutuante, metas de inflação e austeridade fiscal.O PSDB promete também "menos imposto, mais investimento" e "um novo Estado desenvolvimentista", que trarão "mais crescimento econômico com mais oportunidades". Assim, Alckmin gerenciaria o crescimento com inclusão social. Entre propostas genéricas, o candidato promete extinguir, no mínimo, o mesmo número de ministérios e de instituições públicas que foram criados pelo governo Lula. A decisão faz parte da redução de gastos públicos defendida.A educação, a área social e a saúde também são prioridades do programa tucano. O PSDB vai mostrar que os programas de proteção social, como as bolsas, são criações da legenda na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na área da reforma eleitoral, o eventual governo de Geraldo Alckmin vai propor a adoção do voto distrital para vereador, como alternativa para melhorar o sistema representativo a partir da base e diminuir as resistências dessa discussão no plano nacional.Uma das principais estratégias de desenvolvimento social que um eventual governo Geraldo Alckmin deve implementar é a garantia de educação e de saúde para todos. "As transferências de renda associadas à educação, saúde, segurança e oportunidades precisam ser urgentemente retomadas para assegurar a superação da pobreza", diz o texto. Apesar de destacar que os avanços sociais do governo Lula são herança da gestão de Fernando Henrique, a maior bandeira do governo petista, o programa Bolsa Família, deve ser mantida caso Alckmin seja eleito. Mas com a ressalva: "Todavia, não queremos condenar as famílias eternamente à ajuda do governo: é preciso devolver às famílias a dignidade do trabalho." Ainda na área da segurança, os tucanos prometem "polícia eficiente, justiça rápida e prisões seguras". No documento, é destacado que "mais do que a severidade de pena, é a certeza da punição que pode desencorajar a prática do crime". E cita que o exemplo, bom ou mau, vem de cima, daí a promessa do candidato em "praticar a indulgência zero, começando pelos políticos". O crime organizado é um dos principais focos de combate e o fortalecimento das polícias é uma das promessas. "A Polícia Federal tem mostrado mais êxito contra a corrupção do que contra o tráfico de drogas e armas, critica Alckmin.ReformasAo defender a retomada das reformas constitucionais dos anos 90, o documento menciona três - a do Poder Judiciário, a da legislação eleitoral e do Estado, incluindo "o enxugamento da gordura clientelista da máquina administrativa". O PSDB propõe a definição de marcos regulatórios "apropriados", que estimulem os investimentos. Mas não menciona setores.Sem mencionar a necessidade de uma reforma tributária, o documento afirma que é necessário "extinguir muitas contribuições e impostos e criar um sistema tributário simples para desburocratizar, reduzir custos e facilitar a vida das empresas". Mais uma vez, o documento é genérico, sem detalhar a proposta.

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