Alckmin prevê início de ano difícil para São Paulo

O governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), reafirmou hoje que o Estado poderáreduzir investimentos no próximo ano, já que a economia brasileira "corre o risco" de retração no primeiro trimestre. "Por isso estamos insistindo na queda da taxa de juros", afirmou. Na semana passada, Alckmin entregou ao presidente Fernando Henrique Cardoso um documento, redigido com a ajuda de empresários paulistas, contendo sugestões sobre a política de juros. No jantar que reuniu governadores e ministros tucanos, ele pediu ao presidente e à equipe econômica mais "ousadia" para que o País e sobretudo São Paulo possam crescer. "O presidente concordou com a queda da taxa de juros e me disseno jantar que está pensando na mudança. Mas acabara de ocorrer o estado de sítio na Argentina e Fernando De La Rúa não havia renunciado ainda", contou o governador. "Em breve vamos ter espaço para isso." Alckmin acredita, no entanto, que o cenário se inverterá e a situação pode melhorar a partir do segundo trimestre. "O próximo ano vai ser o inverso de 2001, que teve um começo bom edepois crises sucessivas. No próximo ano, a tendência é melhorar", explicou.O secretário da Fazenda, Fernando Dall´Acqua, disse em entrevista publicada hoje pelo jornal O Estado de S.Paulo, que não descarta a hipótese de ter de cortar investimentos, casoprevisões pessimistas sobre a aconomia se confirmem. "Há um cenário extremamente cauteloso, conservador."Hoje, Alckmin ressalvou que a cobrança de queda da taxa de juros não é uma crítica ao ministro da Fazenda Pedro Malan, mas um pedido de ousadia. "A redução pode ser pequena, basta um sinalpara baixo que a situação começa a melhorar." Este mês, a taxa foi mantida pelo Conselho de Política Monetária (Copom) em 19%.A maior parte da arrecadação paulista, 88%, vem do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O Estado teve forte queda de receita no segundo semestre, por causa do desaquecimento da economia com a crise energética, os atentadosnos Estados Unidos e a questão argentina.Campanha - Hoje, o governador participou de inaugurações na cidade. Primeiro, entregou seis trens alemães na Estação Santo Amaro da Linha C da CPTM. Depois, foi à inauguração da sexta unidade do restaurante popular Bomprato, na Lapa, no qual, como nos demais restaurantes, serão servidas em média 1.200 refeições por dia, a R$ 1 cada.Nos dois eventos, o clima foi de campanha, apesar de Alckmin negar ser candidato à reeleição. Os temas de todos os oradores foram praticamente os mesmos: as realizações do governo e as referências ao Natal.Na inauguração do Bomprato, cerca de 400 adultos e crianças ficaram aglomerados na entrada do galpão. Prevista para às 11 horas, a cerimônia começou depois do meio-dia. Num palco quadrangular na entrada do restaurante, deputados federais eestaduais, vereadores e secretários acompanhavam Alckmin, que se mostrou incomodado com a demora dos discursos.Na platéia, os convidados aplaudiam, mas mostravam irritação com o "falatório". "Não vai ser almoço, vai ser janta", ironizou Cleber Marconi, que compareceu a convite do diretório do PSDB. "Chegamos às 10h30, falaram que íamos embora às 13 horas. Já são 12h50 e não comemos", reclamou Cleonice Souza Almeida, líder comunitária do Itaim Paulista.Salientando a participação da sociedade civil na iniciativa, Alckmin negou que a inauguração tivesse caráter político. "Há os governos de gabinete, distantes do povo, e os modernos eparticipativos, que interagem com a sociedade", definiu.

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