Alckmin prevê dificuldades maiores em 2002

Um ano difícil, mas encerrado com déficit público zero, bom nível de investimentos e sem a venda de nenhum ativo. A avaliação foi feita há pouco pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que prevê um 2002 mais complicado ainda. "Mas São Paulo tem experiência em enfrentar crises", resumiu Alckmin, com orgulho, mas com a garantia de quem tem cerca de 3 mil obras de pequeno, médio e grande portes para entregar ao longo do próximo ano. A questão da segurança, reafirmou, continua sendo o grande desafio. E, como de hábito, ele evitou assumir que é o candidato do PSDB ao governo paulista. "Eleição é em ano par", disse, repetindo a frase que utilizou diversas vezes ao longo do ano.Nem o apoio declarado de líderes tucanos e das bancadas estadual e federal anima o governador Alckmin a falar sobre reeleição. "Acho que precipitar o processo eleitoral não é bom. A convenção será realizada em julho de 2002. Até lá tem tempo. Além disso, candidatura não é decisão pessoal, é fruto de vontade coletiva", disse Alckmin, repetindo frases ditas ao longo de 2001. "Sou contra essa coisa de começar campanha 10 meses antes da eleição. O povo não gosta, a população quer é ver trabalho", declarou.Nessa linha, Alckmin resumiu o que foi e o que será 2002. "Há dois tipos de governo: o da irresponsabilidade fiscal, que deixa a conta para o seu sucessor e o povo pagarem, e os sérios, que agem com responsabilidade. Esse é o trabalho que estamos fazendo, com prioridade para a área social." Balanço dos investimentos e do ajuste fiscalEntre os investimentos, ele cita as linhas 4 e 5 do Metrô, a duplicação da Rodovia dos Bandeirantes, o Rodoanel, reforma e construção de vários hospitais, escolas, penitenciárias, além da desativação do Complexo do Carandiru. As várias obras ajudaram a manter o nível de investimentos do governo paulista. "Nível histórico e sem que o governo gastasse um centavo a mais do que arrecadou. E, pela primeira vez em alguns anos, sem vender um ativo, uma ação, um copo, uma propriedade do Estado", disse Alckmin. "Então, é ajuste fiscal puro."Segundo o governador, aliados ao ajuste, as contas públicas estão equilibradas, o que permitiu a redução da carga tributária."Reduzimos ICMS para a renovação da frota de táxis, para a pequena empresa, para vários produtos", disse Alckmin. Ele lembra ainda que o governo está com as contas rigorosamente em dia. "Pagamos 13% da receita corrente líquida da dívida e avançamos na questão dos precatórios", completou. "Apesar do ciclo de atividade econômico mundial estar retraído e das crises de energia e da Argentina, além do ataque terrorista aos EUA, nós resistimos a todas essas dificuldades e crescemos cerca de 9% em relação a 2000", disse Alckmin.O governador destacou também o avanço em termos de infra-estrutura. "São Paulo tem uma boa infra-estrutura, que foi ampliada em todas as áreas: no setor de energia, com termelétricas e hidrelétricas, co-geração com os projetos de bagaço de cana; no setor de transportes com novas estradas, vicinais, duplicação de rodovias e o primeiro trecho do Rodoanel", resumiu Alckmim. Ele cita também o investimento do governo em recursos humanos, com uma forte ampliação do número de vagas e cursos no ensino universitário gratuito estatal. "Estamos fazendo uma forte ampliação do ensino universitário. USP, Unesp e Unicamp, que cresciam em média 200 vagas por ano, no vestibular, este ano tiveram um aumento de 1.084 vagas. E esperamos, em 2002, chegar a mais de 3 mil vagas", disse Alckmin. Ele lembrou também que o governo paulista pretende recuperar o sistema Paula Souza (Centro Estadual de Ensino Tecnológico de São Paulo, que tem 99 escolas técnicas e 10 faculdades), com ampliação de vagas nas Fatecs. Mesmo com todo o investimento na área social, a Segurança Pública é o calcanhar de Aquiles do governo paulista, reconhece Alckmin, e será o desafio de 2002. ?Reformamos o sistema penitenciário, criamos um número recorde de vagas, fizemos a integração dos comandos das polícias, mas é evidente: esse é o nosso maior desafio", disse Alckmin. "Mas não é só nosso. Numa área como a região metropolitana de São Paulo, que concentra 17,5 milhões de pessoas, é mais difícil encontrar soluções. Mas é esse o nosso empenho", afirmou.

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