Alckmin nega ter apoiado candidatura de Tasso no PSDB

O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) negou hoje que tenha dado apoio a uma possível candidatura de Tasso Jereissati para a presidência nacional do partido. Ex-governador do Ceará e senador eleito, Tasso disputa a vaga com o deputado federal José Aníbal (SP), atual presidente, e com o senador José Serra (SP). Aníbal e Serra estão sem mandato legislativo a partir de 2003."Em primeiro lugar, eu não estou apoiando ninguém porque nem sei ainda quais são os candidatos. A eleição da executiva nacional é só em maio", disse Alckmin. "Então, por enquanto não tem nenhuma candidatura posta, não sei nem se José Aníbal vai postular a reeleição ou quem são os outros candidatos."O governador também rejeitou a avaliação de que o PSDB está desunido e em crise, alimentada pela luta interna pelo comando do partido, além de dividido sobre a questão de apoiar e em que grau o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente da Câmara e governador eleito de Minas, Aécio Neves, estaria apoiando Tasso no movimento de troca da direção do partido, mantendo a hegemonia paulista."Acho que nós vamos fazer o máximo para evitar disputa. A presidência do partido deve ser ponto de convergência, deve unir o partido para propiciar a realização de um trabalho em equipe", disse Alckmin. "Além disso, não tem só presidência tem também toda uma executiva e nós temos ótimos nomes. Vocês mesmos já citaram o Tasso, o Aníbal, o Serra. Mas ainda é muito cedo para discutir essa questão, vamos ver na época quem se dispõe a ser presidente."Alckmin destaca que o trabalho de presidir um partido, ainda num País que não tem tradição de vida partidária - pelo contrário, é voltado ao personalismo na política -, é uma tarefa que exige sacrifício. "Essa história de o presidente ser de São Paulo ou não ser de São Paulo, não é por aí, não devemos ter uma visão regionalista, e sim escolher alguém que tenha condição de representar bem o partido, de uni-lo", afirmou.O governador lembra que o candidato à presidência nacional do PSDB era o mineiro Pimenta da Veiga. "Ele só não foi porque não quis, preferiu ficar no Ministério das Comunicações. Aí, o José Aníbal foi candidato e foi o nome de consenso", explicou ele, referindo-se à escolha do atual presidente nacional do PSDB. "Não há nenhuma crise, é muito bom que o partido tenha vários nomes. Isso mostra que há vida partidária, que o partido está ativo, isso é muito positivo e no momento certo se busca o entendimento."Independente da briga pela manutenção do controle com o PSDB paulista ou não, Alckmin evitou entrar na polêmica sobre se Tasso estaria ou não habilitado a presidir o partido, uma vez que durante a campanha eleitoral o ex-governador renegou a decisão do partido e declarou apoio público ao então candidato à Presidência Ciro Gomes (PPS), adversário do candidato tucano, Serra. "Nós temos que entender que ele foi motivado por questões locais, lá do Ceará", disse Alckmin, sem mencionar o fato de que Tasso é padrinho político e amigo pessoal de Ciro, que já foi do PSDB. "Além disso, vai ter momento oportuno para nós discutirmos isso", comentou ele, referindo-se ao episódio que é considerado por muitos tucanos como uma traição de Tasso.

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