Alckmin nega que PSDB tenha fugido de debates

O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, refutou hoje que o seu partido tem fugido aos debates no âmbito estadual, como mencionou o presidente estadual do PT, Edinho Silva. "Isso não tem pé nem cabeça. Quem não tem ido a sabatinas, em encontros políticos não é o PSDB, é exatamente o PT", disse Alckmin, após uma caminhada por três quarteirões do centro de Rio Claro (SP), que durou cerca de 40 minutos, cumprimentando populares e lojistas. O tucano aproveitou e estendeu o assunto de "fuga do debate" para a esfera nacional, elogiando o companheiro de partido, o candidato a presidente José Serra, e deixando implícito, sem citar o nome da adversária Dilma Rousseff (PT), que é a petista que está se esquivando do debate.

BRÁS HENRIQUE, Agência Estado

30 Julho 2010 | 18h14

"Acho que o Serra está fazendo campanha de alto nível, abordando os temas de interesse da população, falando objetivamente da sua proposta, do futuro, economia, educação, emprego, renda, saúde, segurança e tem detalhado as suas propostas", comentou o tucano. Questionado, em seguida, se Dilma, então, estaria fugindo do debate, Alckmin foi lacônico: "É possível." Alckmin fez campanha ao lado dos candidatos ao Senado por sua coligação, Aloysio Nunes (PSDB) e Orestes Quércia (PMDB), além do presidente estadual do PSDB, Mendes Thame.

Nunes e Thame também comentaram a declaração de Edinho Silva sobre a questão dos debates. Nunes também deixou a entender que Dilma é quem está fugindo da discussão de temas de campanha, sem citar o nome da petista. "Estamos presentes, não houve nenhuma recusa de debate, pelo contrário, nossos candidatos estão se expondo e dando entrevistas diariamente, falando de suas propostas, participando de sabatinas", disse o candidato ao Senado.

"Quem está se escondendo do debate, pelo contrário, é a candidata do governo à presidência (Dilma)", emendou ele. Ao ser indagado se Dilma estaria fugindo mesmo, Nunes continuou: "Ela está evitando, mas chega uma hora que os candidatos terão que se expor e dizer quem são, o que pensam, e isso vai acontecer." Nunes acrescentou que PSDB ganhou as eleições e que continua no governo estadual porque seus candidatos obtiveram aprovação popular. "Ninguém nos deu o governo de presente, foram governos conquistados na democracia, pelo voto popular, com base em boas avaliações de governo e candidatos valorosos", disse ele.

Thame tinha reagido a uma declaração do candidato do PT ao governo paulista, Aloizio Mercadante, que afirmou que o PSDB teve uma "oligarquia" em 16 anos no poder. Isso gerou resposta de Edinho Silva, que agora recebeu outro contra-ataque. "Estamos absolutamente à disposição do debate, queremos o debate e consideramos que essa época, das campanhas presidenciáveis, é o melhor momento para aumentar a conscientização política da população", disse o presidente estadual do PSDB. "Só que, para aumentar a conscientização, é preciso oferecer ao povo, ao eleitorado, o contraditório, e o contraditório só é oferecido se houver o debate", continuou Thame. "Portanto, somos os primeiros a defender o debate entre as diferentes posições dos candidatos."

Alckmin, que também visitou, durante 15 minutos, o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) do governo paulista, que atende 13 municípios da região, também fez um breve comentário sobre a investigação da Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo sobre o adversário Mercadante, que estaria usando funcionários do Senado em sua campanha ao governo. "Cabe à Justiça Eleitoral concluir a investigação e definir os procedimentos", enfatizou o tucano, sem levar o assunto adiante. Nunes fez o mesmo: "É uma questão que está sendo dita pela Procuradoria, e não tenho como prejulgá-lo (Mercadante)."

Propostas

Alckmin ainda destacou que Rio Claro é um polo regional de educação, que a Escola Técnica Estadual (Etec) local foi a primeira colocada no Estado e que a Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) tem um novo câmpus (obra iniciada por ele e encerrada por Serra), e que o antigo prédio será destinado a uma futura Faculdade de Tecnologia (Fatec), caso seja eleito. E avisou que pretende construir mais AMEs no Estado. "Vamos ampliar o número de AMEs porque a gente estará ajudando a rede básica e evitando muita internação", destacou o tucano.

O candidato do PSDB voltou a citar a segurança no Estado e as construções de novos Centros de Detenções Provisórias (CDPs), além de centros que atendem os egressos dos presídios. "Nossa meta é não ter preso em cadeia. Ainda existem no Estado 8 mil, e vamos zerar, e com isso teremos ganho na investigação, pois a Polícia Civil deixará de tomar conta de preso para desempenhar o seu papel de polícia investigativa e judiciária", informou Alckmin. Sobre os centros para egressos, disse que irá ampliar o número. "Temos que apoiá-lo (o egresso) ainda mais para que ele possa ser reinserido no mercado de trabalho e no convívio da sociedade", explicou o tucano, gabando-se que a sua administração foi a que mais investiu em administração penitenciária. "Criei 43 mil vagas no sistema penitenciário", disse ele.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.