Alckmin nega que esteja intimidado por pesquisas de opinião

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), negou hoje que se sinta intimidado com a ofensiva que vem adotando para disputar a Presidência da República, pelo fato de possuir uma performance inferior a de outros pré-candidatos nas pesquisas de intenção de voto, como é o caso do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB). Mantendo o discurso de que as pesquisas são "o retrato do passado" e de que a campanha só começa com o horário eleitoral, Alckmin disse que está na verdade surpreso com a performance que conseguiu obter até agora."A campanha nem começou", disse Alckmin, em resposta às perguntas de jornalistas que o acompanharam a uma visita a obras do Metrô, na capital paulista. De acordo com a última pesquisa Ibope, Serra teria 31% das intenções de voto em um primeiro turno contra o presidente Lula, que ficaria tecnicamente empatado com o tucano, com 35%. Na simulação entre Lula e Alckmin, o presidente aparece com 38% contra 17% do tucano."Em termos de pesquisas, temos um nível extremamente alto. Pelo nível de conhecimento que nós temos, ter quase 20% no primeiro turno é um piso altíssimo para você começar a eleição." Alckmin ressaltou que, inicialmente, sua expectativa era de chegar ao início do horário eleitoral com apenas um dígito nas pesquisas, algo em torno de 7% ou 8%. "Começar com quase 20% é uma beleza", reiterou.O governador aproveitou para reforçar que vai se licenciar do cargo toda vez que estiver viajando em campanha em um dia útil, para que não seja remunerado pelo Estado nos dias em que estiver cuidando de sua agenda eleitoral. "Isto é um cuidado que nós temos, que é a separação absoluta entre o público e o privado", disse Alckmin. Ele evitou comentar sua agenda de viagens, mas a expectativa é de que o governador vá ao Rio de Janeiro na quinta-feira e, na próxima semana, siga para o Mato Grosso do Sul.De qualquer forma, Alckmin defende que o objetivo das viagens não é mudar as pesquisas eleitorais, mas sim dar continuidade às articulações dentro do partido. "Não tenho nenhuma pretensão de mudar as pesquisas. Pesquisa você só muda na época da campanha. Isso é mais um trabalho de ouvir o partido, conversar com o partido, expor idéias", disse o governador.Durante a entrevista, Alckmin desviou diversas vezes de perguntas relacionadas a Serra e à divisão interna que se instalou no PSDB, em função da corrida presidencial. Questionado, por exemplo, sobre a avaliação de Serra ter agendado um almoço com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, Alckmin disse que não poderia falar em nome do prefeito e apenas brincou: "A comida é ótima: goiaba com sorvete de queijo", disse Alckmin, em referência ao menu do encontro que teve com o governador mineiro. Ele reforçou que não vê necessidade de o PSDB escolher desde já seu candidato à Presidência, mas lembrou que continuará trabalhando para ser o "candidato do entendimento".Enquanto o PSDB não se decide, Alckmin tem aproveitado para prosseguir com sua campanha dentro e fora da legenda. Hoje, o governador teve um dia típico de candidato. Depois de soldar um trilho na linha 2 (Verde) do Metrô de São Paulo, ele levou os jornalistas para tomar um café em um bar próximo à obra, apesar de a organização do evento ter previsto uma mesa com petiscos, cafés e sucos no local. "Eu gosto de gente", disse Alckmin. No pequeno Bar, tirou fotos com populares e recebeu até mesmo um reforço para sua campanha de uma cliente do estabelecimento. "Você vai para a Presidência, o Serra vai para o seu lugar e o vice fica na prefeitura", disse Iraci Rocha dos Santos, que passava pelo local e parou para cumprimentar o governador.

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