Alckmin nega fim de conversa com PSD

Para tucano, ida de Kassab à festa do PT não põe fim à tentativa de aliança; petistas avaliam se reação da militância afetará negociação

Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2012 | 22h36

A participação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), na celebração de 32 anos do PT, na sexta-feira, não põe fim às conversas entre seu partido e os tucanos, na avaliação feita ontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). “Não (encerra as negociações). Nós queremos um grande arco de aliança para servir à população de São Paulo”, afirmou Alckmin.

Kassab tem dito que tanto pode firmar uma aliança com o PSDB, se os tucanos apoiarem o nome do vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD) como cabeça de chapa, quanto um acordo em prol do pré-candidato do PT, Fernando Haddad.

 Na sexta-feira, o prefeito foi a Brasília, subiu ao palco do evento do PT e levou vaia dos militantes. “Vai acontecer com ele o que aconteceu no PT. Vão vaiar, vão reclamar”, prevê o presidente estadual do PSDB, Pedro Tobias, se Kassab participar de um futuro evento dos tucanos. Para o dirigente, o prefeito indicou já ter partido na questão. “Ele quer estar do lado do governo, vai ser ministro, alguma coisa. Mas isso não é problema nosso, é do PT.”

Comedido, o presidente municipal do PSDB, Julio Semeghini, reconheceu que um acordo com Kassab está “mais difícil”, mas evitou descartá-lo. “Temos uma parceria de longo prazo com o prefeito. O que enfrentamos agora é um problema pontual.”

Dia seguinte. Entre os petistas, a participação de Kassab na festa do partido deixou mais evidente quem está a favor da aliança entre as siglas e quem é refratário à ideia e teme os ruídos que essa união provocaria na campanha.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), considerou positiva a ida do prefeito à festa, apesar das vaias. “Só para lembrar, quando o (vice-presidente) José Alencar foi apresentado ao PT, houve muita vaia. Depois os militantes entenderam a importância dele para nós”, comparou. “Ele (Kassab) foi lá como convidado pela direção do PT, não foi de oferecido nem para mandar recado para ninguém.”

Ex-líder da bancada, o deputado Paulo Teixeira (SP) reconhece as dificuldades, mas aposta na união com a sigla de Kassab. “Vamos fazer uma aliança nacional com o PSD. Na cidade de São Paulo, a dificuldade é porque temos um histórico de disputa de interesses entre o PT e Kassab”, observou, para depois reconhecer: “É tentar juntar óleo com água”.

Essa analogia faz sentido para o deputado Carlos Zarattini (SP), um dos quatro pré-candidatos que abriram mão das prévias em favor de Haddad. “Acho que o Kassab não conhece bem o PT. Houve uma certa forçação de barra em ir ao evento”, avaliou. “Não sei se atrapalha as negociações, mas de certa forma cria um constrangimento. O partido está muito unido e você começa a criar uma divisão.”

Para o senador Humberto Costa (PE), a reação da militância poderia ser evitada – mas não pelos políticos. “As vaias aconteceram mais por inabilidade do cerimonial de anunciar seu nome sozinho.” / DANIEL BRAMATTI, EUGÊNIA LOPES e FERNANDO GALLO

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