Alckmin nega críticas ao governo federal

O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) negou hoje que tenha feito críticas à atuação do governo federal na área da segurança pública. Fernando Henrique Cardoso teria reclamado da "injustiça" de Alckmin, em jantar realizado na última quinta-feira. "Não disse, em nenhum momento, que o governo federal é o responsável; problemas policiais são de responsabilidade do Estado, e o Estado está cumprindo seu dever", afirmou Alckmin. "Falo com o presidente a cada dois ou três dias e ele, em nenhum momento, tocou neste assunto."Fernando Henrique teria se queixado e, segundo um senador que participou do jantar na casa do ministro de Minas e Energia, José Jorge, o presidente comentou: "Quando as coisas dão certo para o governador (Alckmin), ele fatura; quando não dão, ele joga para cima do governo federal."Alckmin voltou a afirmar que não há nenhum tipo de problema entre o trabalho desenvolvido pelos dois governos, o federal e o estadual. O governador lembrou ainda que há pouco tempo entregou ao presidente um pacote de medidas contendo sugestões de propostas que podem ser tomadas no âmbito federal para ajudar o governo paulista no combate à criminalidade. Alckmin citou, entre elas, a questão do porte ilegal de arma, armas adulteradas, a construção de penitenciárias federais de segurança máxima e alterações legislativas."Nós temos, no Estado, a Penitenciária de Segurança Máxima de Taubaté e, em fevereiro, entregaremos a segunda, em Presidente Bernardes. A orientação é a de que preso mais perigoso fica nesse regime especial", afirmou Alckmin. O governador lembrou que a Lei de Execuções Penais determina que a prisão, nesse tipo de regime mais rigoroso, completamente isolado, é somente por seis meses e, ao fim desse prazo, o preso é transferido para o regime normal. "Queremos um prazo mais longo", disse Alckmin.Sobre a quadrilha de chilenos, presa em Serra Negra (SP), identificada como sendo o grupo responsável pelo seqüestro do publicitário Washington Olivetto, Alckmin afirmou que não há novidade relevante sobre os quatro integrantes que estão foragidos. Os seis que foram detidos na última sexta-feira, entre eles o líder do bando, serão apresentados hoje à imprensa, mas não devem conceder entrevistas.Alckmin disse que o processo de investigação não está descartando nenhuma hipótese: nem de que haveria brasileiros no grupo, nem de uma ligação da quadrilha de Serra Negra (SP) ao seqüestro do empresário Abílio Diniz, ocorrido em 1989, também por estrangeiros. "Mas é prematuro ligar um caso ao outro. A investigação é que vai mostrar as ligações e ramificações dessa quadrilha." Alckmin também não rejeita uma possível conexão da quadrilha com grupos de guerrilha na América Latina.O secretário de Segurança Pública paulista, Saulo de Castro, evitou entrar em detalhes sobre as investigações que estão em curso na operação realizada em Serra Negra. Ele não confirmou a existência de um cartão de uma empresa de táxi aéreo entre os documentos apreendidos na casa. "Sei que existe um cartão, mas não vou comentar até onde tem ligação ou não. Vários documentos foram apreendidos", disse Castro. Há a informação, não confirmada oficialmente, de que o cartão seria da mesma empresa que teve o helicóptero alugado para ser usado no resgate de dois presos de uma penitenciária em Guarulhos, ocorrido há cerca de 10 dias. Na avaliação de Alckmin, a libertação de Olivetto, no último sábado, pode ser apontada como um dos marcos da nova forma de atuação da polícia paulista, mas não o único. "Foi um marco importante porque salvou uma vida e ajudou a prender uma quadrilha extremamente perigosa", afirmou. Alckmin elogiou o trabalho da polícia. "Não é que faltasse entusiasmo antes, mas agora ela está extremamente motivada, acho que estamos virando o jogo", completou Alckmin.O governador voltou a destacar a importância da colaboração da população, que deve ligar para o Disque-Denúncia (0800-156315) para informar sobre situações estranhas, suspeitas ou que fujam à rotina do local. Alckmin, no entanto, não soube dizer se as vizinhas do cativeiro de Olivetto, que ligaram para a polícia, receberão alguma recompensa. "Vamos verificar se haverá o pagamento", disse o governador, que acaba de pedir urgência na votação do projeto de lei que prevê pagamento de recompensas para quem der informação que leve à prisão de criminosos.Em relação ao caso Celso Daniel, prefeito de Santo André, seqüestrado e morto há cerca de duas semanas, Alckmin afirmou que a polícia continua empenhada na apuração do crime. "Mas acho que não devemos marcar uma data para solucionar o caso. A polícia tem de agir com responsabilidade, como já vinha trabalhando há um bom tempo", afirmou Alckmin.O governador participou hoje pela manhã da solenidade de posse de 898 escrivães da Polícia Civil. A partir de agora, os escrivães vão passar por quatro meses de treinamento, na Academia da Polícia Civil, curso com 600 horas/aula e 35 matérias.

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