Alckmin mantém 'humildade' e aposta em 2º turno na eleição nacional

O candidato tucano mostra postura de não cantar vitória, mesmo com as indicações de que vencerá o pleito já no primeiro turno

Brás Henrique, de O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 14h52

FRANCA - O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, enfatizou, nesta sexta-feira, 24, em Franca, na região de Ribeirão Preto, que continuará a sua campanha com humildade, mesmo com a manutenção da liderança, nas intenções de votos contra os seus adversários, segundo a última pesquisa divulgada pelo Datafolha. "Continuamos a campanha com humildade, trabalho, trabalho, trabalho e confiança, e o povo é quem decide", discursou o tucano, antes da caminhada de cerca de uma hora pelo centro da cidade. Apesar das indicações de que vencerá o pleito ainda no primeiro turno, ele mantém sua postura de não cantar a vitória antes do tempo. E disse ainda acreditar que, na esfera nacional, a disputa chegará ao segundo turno, com o seu colega de legenda, José Serra (PSDB), enfrentando a adversária Dilma Rousseff (PT).

 

Franca foi o início do percurso de campanha de Alckmin, que seguiria depois para Ribeirão Preto e se juntaria a Serra em São Carlos e Araraquara. Na reta final, o tucano pretende fortalecer o contato direto com o eleitor. "Estamos fazendo um trabalho mais intensivo, falando com a mídia da região, mas nada de especial, só ampliando o trabalho já feito", comentou o ex-governador, que quer retornar ao poder no Estado. A última pesquisa do Datafolha indicou que o tucano mantém 51% das intenções de votos, contra 23% do principal adversário, Aloizio Mercadante (PT). Mas ele rechaça falar em vitória antecipada. "Existem intenções de votos, mas voto mesmo só no dia 3 (de outubro). O (Leonel) Brizola dizia que se pesquisa ganhasse eleição, não precisava ter eleição, né?", destacou ele.

 

Serra - Mas, questionado sobre a eleição federal, Alckmin mostrou confiança numa disputa em segundo turno, traçando uma comparação entre o momento atual e o que viveu em 2006, quando disputou a presidência da República contra Luiz Inácio Lula da Silva. Naquela disputa, tudo indicava que o presidente Lula seria reeleito no primeiro turno, mas na reta final o tucano levou a eleição para o segundo turno, no qual perdeu para o petista. "Sinto que o quadro nacional começa a mudar", afirmou ele. "Em São Paulo, o Serra já está praticamente em primeiro lugar, crescendo, a Marina (Silva, do PV), crescendo", citou ele.

 

"Me lembro da minha eleição para presidente, em 2006, quando havia diferença e chegamos ao segundo turno", emendou Alckmin. "Então, acho que é possível, sim, estou trabalhando para isso, ajudando, para ter o segundo turno na eleição federal." Para que isso ocorra, o tucano acha importante também o crescimento de Marina na disputa, pois isso ajudaria a tirar vantagem de Dilma e evitando uma decisão já no dia 3 de outubro. E considera que Serra está fazendo a campanha certa: "Ele (Serra) está fazendo o que tem que fazer, falar a verdade, percorrer o Brasil, conversar com as pessoas, ouvir o povo. Acho que está fazendo trabalho bom."

 

Para Alckmin, as atuais denúncias envolvendo a ex-ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, as quebras de sigilo da Receita Federal (entre elas a de Verônica Serra, filha do presidenciável Serra), entre outras, pode ajudar a mudar o quadro nacional. "É chocante o que temos visto no Brasil", lamentou Alckmin. E ao se referir à quebra de sigilos da Receita Federal, alegou que é um risco. "É uma coisa grave, e a injustiça cometida contra um cidadão ou a uma cidadã é uma ameaça à sociedade, é coisa grave", afirmou ele.

 

Sobre o caso envolvendo Erenice Guerra na Casa Civil, Alckmin também não deixou de criticar. "A demissão (de Erenice) mostra também uma mistura público-privada extremamente preocupante; nós precisamos avançar no conceito de separação do Estado e da iniciativa privada, de não exigir carteirinha de filiação, de não ter loteamento em cargos públicos, porque sempre que acontece isso, de um lado se perde a eficiência, piora, e de outro lado abre (espaço) para o desvio", argumentou o tucano. O candidato ainda mencionou o caso envolvendo o Correios: "O Correios é uma das instituições mais respeitadas do Brasil, padrão de qualidade, e até ele acabou atingido por essa questão."

Pedágios - Antes da caminhada pelo centro de Franca, Alckmin participou da sabatina do Grupo Corrêa Neves (GCN), dono do jornal Comércio da Franca e da Rádio Difusora (AM). Durante uma hora e meia, o tucano falou sobre seus projetos de governo. Sobre os pedágios, ele disse que poderá rever mesmo os 18 contratos de rodovias sob concessão, mas destacou que o modelo paulista usado foi bem-sucedido.

 

Segundo ele, houve queda do número de acidentes nas estradas, melhorias e o Estado não precisou investir. "Vamos analisar os 18 contatratos para ver como está o equilíbrio econômico e financeiro", avisou Alckmin. O rival Mercadante ataca as gestões do PSDB, principalmente pelos pedágios caros.

Ficha Limpa - Alckmin disse ser favorável à reforma política, especialmente com o voto distrital, que evitaria que "celebridades", mas candidatos despreparados, como o palhaço Tiririca (sem citar o nome dele, mas respondendo perguntas de jornalista do GCN), "pescassem" votos pelo interior. "Nos Estados Unidos, a eleição é distrital, com mandatos por dois anos, e ninguém reclama, e a campanha fica barata", comentou o tucano. E sobre o Ficha Limpa, em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF), se valerá ou não para a disputa deste ano, Alckmin foi direto e rápido: "Acho que o Supremo deveria aprovar para essa eleição."

 

Sapato - Na terra do calçado, Franca, acompanhado da filha Sophia, Alckmin parou numa loja da tradicional Sândalo e comprou um par de sapatos. Pagou R$ 148,90 e fez questão de frisar: "E peguei uma Nota Fiscal Paulista." A nota fiscal estadual entrou em vigor na gestão de José Serra como governador de São Paulo. Alckmin saiu da cidade calçando o novo sapato.

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