Alckmin finaliza partilha e deixa PMDB fora do governo

Tucano encerra composição com Aníbal, Semeghini e Sampaio; só 6 das 26 secretarias serão de serristas

Roberto Almeida / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2010 | 22h10

O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), completou nesta quinta-feira, 30, o primeiro escalão de seu futuro governo, mas não incluiu o PMDB na partilha. A sigla foi a única entre as principais aliadas ao tucano que não obteve assento em uma das 26 secretarias paulistas.

 

A bancada peemedebista e a equipe de transição de Alckmin negociavam a pasta de Agricultura e Abastecimento. No entanto, conforme o governador eleito anunciou, a secretaria permanecerá sob o atual gestor, João Sampaio, que foi indicado ao cargo em 2007 pelo ex-governador José Serra (PSDB).

 

Indagado sobre a ausência do PMDB em seu governo, Alckmin sugeriu que manterá portas abertas para o partido a partir do ano que vem. "Serão quatro anos de governo e vamos estar sempre conversando com o PMDB para ajudar a população", afirmou.

 

A ideia, segundo interlocutores do tucano, é aguardar as definições internas dos peemedebistas. Com a morte do ex-governador Orestes Quércia e a ascensão do vice-presidente eleito Michel Temer, o partido passa por um rearranjo e elegerá novo presidente estadual.

 

"Foi um momento muito ruim, que prejudicou as conversas com o novo governo", observou o presidente em exercício do PMDB paulista, deputado estadual Jorge Caruso. Ele, que apoiou Dilma Rousseff durante as eleições, deverá convocar as eleições do partido em um prazo de 60 dias.

 

O futuro do PMDB paulista inclui ainda a eventual migração do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), para a sigla. A movimentação é avaliada com cautela pelos tucanos. No horizonte político, Kassab pode se tornar adversário de Alckmin nas eleições de 2014.

 

Anúncios finais. O governador eleito informou ontem que os deputados tucanos reeleitos José Aníbal e Julio Semeghini ficarão, respectivamente, com as pastas de Energia e Gestão Pública. Aníbal e Semeghini fazem parte do grupo de "escudeiros" fiéis a Alckmin contemplados no primeiro escalão do governo.

 

Além disso, o governador eleito confirmou a extinção da Secretaria de Comunicação, que passará a ser uma coordenadoria. "Acho mais importante que São Paulo tenha secretarias de Energia, Turismo e Gestão Metropolitana, que são coisas que servem mais diretamente à população, que uma Secretaria de Comunicação. Basta uma coordenadoria", disse.

 

De acordo com ele, a licitação de R$ 6 milhões para a próxima assessoria de imprensa dos Bandeirantes será mantida. As empresas já apresentaram suas propostas, mas o resultado ainda não foi anunciado.

 

Perfil. No xadrez final, Alckmin manteve em 26 o número de secretarias, mas mudou drasticamente seu perfil. Dos 26 ocupantes de cadeiras do Palácio dos Bandeirantes, apenas 6 fizeram parte da gestão Serra.

 

Além disso, Alckmin incorporou o PSB à partilha de cargos ao oficializar o nome do presidente estadual da legenda, Márcio França, para a pasta de Turismo. Ele chegou a ser cotado para o Ministério dos Portos de Dilma.

 

O governador eleito contemplou ainda o PV com a pasta de Saneamento. Assumirá o deputado estadual Edson Giriboni. O PTB ficou com Esportes e o DEM, com Planejamento.

 

A NOVA CONFIGURAÇÃO NO BANDEIRANTES

 

Administração Penitenciária

Lourival Gomes, da gestão Serra

 

Agricultura

João Sampaio, da gestão Serra

 

Assistência e Desenvolvimento Social

Paulo Barbosa (PSDB), apadrinhado por Gabriel Chalita

 

Casa Civil

Sidney Beraldo (PSDB), ex-secretário de Gestão de Serra

 

Casa Militar

Coronel Admir Gervásio, nome de confiança de Alckmin

 

Cultura

Andrea Matarazzo (PSDB), mantido da gestão Serra

 

Desenvolvimento

Guilherme Afif Domingos, vice-governador eleito, cota do DEM

 

Desenvolvimento Metropolitano*

Edson Aparecido (PSDB), escudeiro de Alckmin

 

Direitos da Pessoa com Deficiência

Linamara Rizzo Battistella, mantida da gestão Serra

 

Economia e Planejamento

Emanuel Fernandes (PSDB), escudeiro de Alckmin

 

Educação

Herman Jacobus Cornelis Voorwald, ex-reitor da Unesp

 

Emprego e Relações do Trabalho

Davi Zaia, cota do PPS

 

Energia*

José Aníbal (PSDB), escudeiro de Alckmin, coordenou seu programa de governo

 

Esporte e Lazer

Jorge Pagura, entra na cota do PTB

 

Gestão Pública

Júlio Semeghini (PSDB), escudeiro de Alckmin

 

Fazenda

Andrea Calabi, com bom trânsito tanto na ala serrista quanto alckmista do PSDB

 

Habitação

Silvio Torres (PSDB), escudeiro de Alckmin

 

Justiça e Defesa da Cidadania

Eloisa de Souza Arruda, indicação de Alckmin

 

Logística e Transportes

Saulo Abreu, nome de confiança de Alckmin, foi seu secretário de Segurança Pública

 

Meio Ambiente

Bruno Covas (PSDB), deputado estadual, neto de Mário Covas

 

Procuradoria-Geral

Elival da Silva Ramos, próximo de Alckmin, reassume o cargo

 

Saneamento

Edson Giriboni, cota do PV

 

Saúde

Giovanni Guido Cerri, médico ligado a Serra

 

Segurança Pública

Antônio Ferreira Pinto, da gestão Serra

 

Transportes Metropolitanos

Jurandir Fernandes, nome de confiança de Alckmin

 

Turismo*

Márcio França, cota do PSB

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