Alckmin faz campanha pelo Congresso

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, escolhido para ser o candidato do PSDB à Presidência da República, teve nesta quinta-feira um dia de campanha eleitoral no prédio do Congresso Nacional. Percorreu o Salão Azul e o Salão Verde, foi ao plenário, visitou os gabinetes das lideranças do PSDB na Câmara e no Senado, apertou mãos de todos os parlamentares e servidores que encontrou pela frente e depois tomou cafezinho na lanchonete da Câmara. No início da noite, Alckmin seguiu para o aeroporto de Brasília, onde embarcou para Belém (Pará).PalocciAbordado insistentemente por jornalistas, Alckmin falou, em várias ocasiões, do assunto que dominou o Parlamento durante todo o dia de ontem: a situação do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, acusado pelo caseiro Francenildo Costa Santos de freqüentar mansão no Lago Sul, em Brasília, onde supostamente havia reuniões de assessores e ex-assessores dele em Ribeirão Preto, festas e partilha de dinheiro ilícito. Alckmin disse que uma decisão sobre o destino de Palocci é um problema do presidente da República, que é quem tem que administrar o assunto. "Mas, se eu fosse o presidente, não deixaria (o caso) chegar ao ponto a que chegou, porque é inadmissível", comentou.Jornalistas lhe perguntaram, então, como resolver a questão, já que um afastamento de Palocci poderia implicar mudanças na política econômica que está dando certo. O governador discordou. Afirmou que a política econômica precisa de "vários ajustes". Disse que considera necessário, por exemplo, reduzir os juros, aumentar o emprego e promover um desenvolvimento maior da economia. E deu o tom da postura crítica que adotará em relação a Lula durante a campanha presidencial: disse que o governo é, "para falar de forma amena, sofrível."Também como indicativo do discurso de campanha, o governador relativizou o sucesso do Programa Bolsa-Família, carro-chefe do governo Lula. Disse que vai mantê-lo, mas fez a ressalva de que, quando Lula assumiu, 5,5 milhões de famílias já eram beneficiadas pelo programa, que então era o mesmo que o Bolsa-Escola, o Vale-Gás e outros."Vou ser o que sou"Perguntado por jornalistas sobre seu estilo de fazer política, Alckmin declarou que não pretende mudar o jeito que é, só pelo fato de ser candidato. Perguntaram se ele se considera carismático. Repetiu que não vai mudar o estilo, disse que já viu muito candidato carismático "quebrar a cara e perder eleição." E repetiu: "Vou ser o que sou." Alckmin deu novos indicativos do discurso que adotará. Disse que vai insistir sempre na apresentação de propostas e, se for chamado para comparar governos, não haverá problema, porque sua administração no Estado de São Paulo não ficaria mal na comparação com o governo federal. O governador reafirmou ainda que deixará o cargo "exatamente no dia 31 de março", mas, antes vai inaugurar a Linha 2 do metrô paulistano.

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