Alckmin fala em 'mentira' e 'falsidade' na investigação da PF sobre cartel

Governador endossou críticas feitas pelo seu partido contra investigação sobre esquema no metrô de São Paulo

Beatriz Bulla, da Agência Estado

27 de novembro de 2013 | 13h07

São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), endossou a crítica feita por seu partido contra a condução das investigações a respeito do cartel de trens no Estado de São Paulo, falando em "mentira e falsidade" e questionando o trabalho da Polícia Federal. "Entendo que esse trabalho precisa ser feito de forma colaborativa e de forma séria, não querendo, no momento de mensalão, misturar as coisas com objetivo nitidamente político", afirmou. "Nós somos os maiores interessados (na verdade), agora não é possível conduzir um processo dessa forma."

Nessa terça-feira, 26, lideranças do PSDB pediram a demissão do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT). O partido ainda questionou supostas adulterações do conteúdo de uma carta enviada à Siemens. O PSDB afirma que o texto da carta foi adulterado para tentar encriminar o partido.

"Quero reiterar nossa disposição total de transparência, investigação e responsabilização de quem quer que seja. Agora, é preciso ter provas", disse Alckmin, nesta manhã, após evento no Palácio dos Bandeirantes.

"O que nos deixou estarrecido: primeiro, a mentira", disse Alckmin, afirmando que inicialmente se disse que quem teria encaminhado a denúncia à Polícia Federal foi o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). "Aí vem o presidente do Cade e diz: não encaminhei nada", emendou o governador. "Segundo, a falsidade", continuou o governador, afirmando que o documento é apócrifo, já que o suposto autor negou a assinatura. "Terceiro, um documento de 2008 quando é traduzido do inglês para o português é acrescentado, falsificado, listando nomes, acusando pessoas e partido político", finalizou.

A carta cuja tradução o PSDB afirma ter sido falsificada foi escrita em inglês, em 2008, pelo ex-diretor da Siemens e enviada à sede da multinacional na Alemanha de forma anônima. Tanto a versão em inglês quanto a versão em português estão anexadas a um relatório escrito em abril deste ano também por Everton Rheinheimer. O conteúdo desse relatório principal, que cita propina ao chefe da Casa Civil de Geraldo Alckmin, Edson Aparecido, e envolve outros políticos tucanos com integrantes do carte, foi revelado pelo Estado na semana passada.

Alckmin questionou ainda "quem faz essas falsificações" e "a serviço de quem". "Hoje é uma injustiça contra um, amanhã é contra outro."

Nesta manhã, em entrevista à Rádio Estadão, Cardozo classificou como "risíveis" críticas do PSDB sobre a tradução do documento e afirmou que o partido tentava tornar uma investigação policial em questão política.

O governador disse que a cartelização "infelizmente" ocorre no mundo inteiro e reiterou que o Estado realizou todo o trabalho de investigação quando tomou conhecimento da situação. "Já estamos trabalhando para avançar nas investigações. O Estado é vítima", afirmou Alckmin.

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